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Café e saúde mental: estudo aponta 2 a 3 xícaras diárias para menor risco de ansiedade

Pesquisa com mais de 400 mil participantes indica consumo moderado da bebida como fator protetor contra transtornos de humor
Por Redação
Café e saúde mental: estudo aponta 2 a 3 xícaras diárias para menor risco de ansiedade
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Um estudo recente associou o consumo moderado de café a um menor risco de ansiedade, depressão e outros transtornos de humor. A pesquisa, que contou com mais de 400 mil participantes, indicou que a ingestão de duas a três xícaras diárias da bebida foi ligada aos melhores resultados em saúde mental.

Os dados foram divulgados em dezembro de 2023 no Journal of Affective Disorders e conduzidos por cientistas da Universidade de Fudan, na China. O levantamento utilizou informações do UK Biobank, um dos maiores repositórios de dados médicos do mundo, com acompanhamento dos voluntários por cerca de 13,4 anos.

Segundo os pesquisadores, todos os participantes iniciaram o estudo sem histórico de problemas mentais. Durante o período de análise, mais de 18 mil casos de transtornos de humor e estresse foram identificados, permitindo observar a relação entre esses quadros e o consumo de café.

Como o café atua na saúde mental

A cafeína, principal substância presente no café, age no cérebro bloqueando a adenosina, um composto associado à sensação de cansaço. Este bloqueio aumenta o estado de alerta e pode influenciar positivamente o humor. Além disso, em doses moderadas, a cafeína estimula a liberação de dopamina.

A dopamina é um neurotransmissor ligado ao prazer, à motivação e ao aprendizado. Os autores do estudo explicam que baixos níveis de dopamina são frequentemente associados a fadiga e desânimo, e o aumento dessa substância pode contribuir para uma sensação de bem-estar.

Os resultados da pesquisa apontam para uma relação em forma de J, onde o benefício do café para a saúde mental aparece no consumo moderado, mas tende a diminuir tanto em níveis muito baixos quanto em níveis elevados. O menor risco foi observado entre pessoas que consumiam de duas a três xícaras de cerca de 250 ml por dia.

Em contrapartida, o consumo de cinco ou mais xícaras diárias foi associado a um risco maior de transtornos de humor. A equipe também analisou se diferenças genéticas, que afetam como o organismo processa a cafeína, poderiam interferir nos resultados. No entanto, essa variação não alterou de forma relevante a associação encontrada.

Os pesquisadores alertam que os efeitos do café variam de pessoa para pessoa. Em alguns casos, pequenas quantidades já podem provocar sintomas como nervosismo, inquietação ou palpitações, ressaltando a importância do equilíbrio e da observação individual.