Os gastos com cachês de artistas em festas de São João na Bahia, que ultrapassaram o teto de R$ 700 mil, somaram R$ 38 milhões em 2025. A informação é de um levantamento do portal A TARDE, com base em dados do Painel de Transparência dos Festejos Juninos nos Municípios do Estado da Bahia.
A medida de limitar os cachês foi adotada após uma reunião entre prefeitos na sede da União dos Municípios da Bahia (UPB). A decisão visa conter os valores cobrados por cantores durante os festejos juninos, demanda levada ao Ministério Público da Bahia (MP-BA), responsável pela fiscalização.
Segundo o levantamento, se o teto já estivesse em vigor no ano passado, 47 contratações de 11 artistas, como Simone Mendes e Wesley Safadão, estariam acima do limite. Os valores de cachês desses artistas variaram de R$ 750 mil a R$ 1,1 milhão por apresentação.
Impacto e Repercussão na Bahia
O total de gastos das prefeituras baianas com a contratação de bandas para o São João em 2025 foi de R$ 614 milhões, com 2.851 artistas em mais de 6 mil apresentações. A maioria dos recursos, R$ 494 milhões, teve origem municipal, enquanto o estado destinou R$ 83,5 milhões e a União R$ 16,1 milhões.
Entre os municípios que mais gastaram, Cruz das Almas liderou com R$ 10,56 milhões, seguida por Jequié, com R$ 10,21 milhões, e Conceição do Jacuípe, com R$ 9,75 milhões.
Uma reunião está prevista entre forrozeiros e a direção da UPB para discutir a valorização dos artistas baianos. O cantor Targino Gondim, com mais de 30 anos de carreira, afirmou que a medida beneficia o forró autêntico, pois os cachês dos artistas locais variam entre R$ 100 mil e R$ 400 mil.
Já o cantor Del Feliz expressou uma visão diferente, acreditando que a mudança pode não ser significativa para os forrozeiros baianos, pois as prefeituras podem continuar priorizando artistas de fora. A discussão sobre os cachês do São João na Bahia segue em pauta, buscando equilibrar a tradição cultural com a sustentabilidade financeira dos municípios.

