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Botafogo pode vender estrelas com crise financeira se aprofundando

O Botafogo vive uma grave crise financeira, com dívidas acumuladas, salários atrasados e um 'transfer ban' da FIFA, o que pode levar à venda de jogadores importantes para o elenco.
Por Redação
Botafogo pode vender estrelas com crise financeira se aprofundando

Vitor Silva/Botafogo

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O Botafogo atravessa um período de grande turbulência financeira, com dívidas se acumulando e a possibilidade de se desfazer de alguns de seus principais jogadores para tentar equilibrar as contas. A situação é tão delicada que o clube já enfrenta um "transfer ban" da FIFA, impedindo a inscrição de novos atletas.

A crise já afeta o dia a dia dos atletas e funcionários. O clube tem atrasado o pagamento de direitos de imagem, chegando a três meses em dado momento, embora uma parcela tenha sido quitada recentemente, deixando dois meses ainda em aberto. Além disso, há pendências com FGTS para alguns jogadores, luvas não pagas e comissões que ainda precisam ser acertadas com os empresários de atletas. Essa situação fez com que o zagueiro Barboza, um dos capitães, expressasse seu desconforto, sinalizando que a renovação de seu contrato dependerá da regularização desses valores.

A gravidade do cenário é tanta que alguns agentes de futebol já recomendam a seus clientes que evitem negociar com o Botafogo, devido à falta de pagamentos e à instabilidade. No início de 2025, os jogadores do elenco chegaram a ameaçar não se apresentar por conta de atrasos em premiações, 13º salário e férias, demonstrando o nível de insatisfação interna. A premiação referente à Copa do Mundo de Clubes de 2025, por exemplo, demorou meses para ser paga, adicionando mais um capítulo à lista de problemas financeiros.

"Transfer Ban" da FIFA e Venda de Jogadores

Um dos golpes mais recentes para o Botafogo é o "transfer ban" imposto pela FIFA. O clube deve US$ 21 milhões ao Atlanta United, dos Estados Unidos, pela contratação do jogador Almada. Por causa dessa dívida, o time carioca está impedido de inscrever novos reforços. Isso significa que atletas como Villalba, Ythallo e Riquelme, que já foram contratados, não podem entrar em campo até que a situação seja regularizada. A janela de transferências, por sua vez, está prestes a fechar, em 3 de março, aumentando a pressão sobre a diretoria.

Diante do quadro, a ordem interna é clara: cortar gastos em todos os setores. Isso impacta desde a base masculina, que pode ficar de fora de torneios internacionais, até o futebol feminino. O diretor Alessandro Brito já admitiu que a venda de jogadores é uma necessidade imediata para o clube. Nomes importantes como Marlon Freitas (que foi para o Palmeiras), David Ricardo (vendido ao Dínamo de Moscou) e Savarino (que seguiu para o Fluminense) já deixaram o Botafogo. Atualmente, Montoro e Barrera são apontados como os principais "ativos" para futuras vendas, visando levantar o dinheiro necessário.

“Precisamos vender jogadores para regularizar a situação financeira e seguir com o planejamento do clube”, afirmou o diretor Alessandro Brito, destacando a urgência do momento.

A ausência do dono do clube, John Textor, no Brasil desde dezembro, só agrava o clima de insegurança entre os funcionários. Embora Textor prometa um aporte financeiro de "amigos", não há uma data definida para isso. Para complicar, ele enfrenta processos judiciais com antigos parceiros, como o fundo Ares, por uma dívida envolvendo o Lyon, e a Iconic Sports Management, que cobra US$ 97 milhões por ações não recompradas. Todos esses fatores contribuem para um cenário de incerteza e preocupação no futuro do Glorioso.