Servidores da saúde de Barreiras, no oeste da Bahia, completam quase 60 dias sem receber salários. Os profissionais são vinculados à UNIBRASIL e atuam na linha de frente do sistema público municipal. A situação gerou denúncias e colocou a gestão do prefeito Otoniel Teixeira (União Brasil) sob a mira de órgãos de controle.
A vereadora Carmélia da Mata (Progressistas) levou a denúncia ao Legislativo municipal nesta terça-feira (11). Segundo a parlamentar, o atraso afeta não apenas funcionários administrativos e de apoio, mas também médicos que realizam cirurgias eletivas na cidade.
Em nota, a Prefeitura de Barreiras, por meio da Secretaria Municipal de Saúde, informou que a alegação de atraso salarial não procede. A pasta afirmou que os repasses dos salários dos médicos estão regularizados até março e que os pagamentos futuros seguem o planejamento mensal. A UNIBRASIL, por sua vez, declarou que apenas dois profissionais apresentam pendência referente a março, devido à não emissão de notas fiscais.
Críticas à gestão e denúncias de irregularidades
Em meio à crise dos salários da saúde em Barreiras, surgem críticas sobre a gestão de pessoal da prefeitura. Moradores denunciam que a criação de cargos de "gerente de posto de saúde" estaria sendo utilizada para quitar favores políticos de campanha. Segundo relatos, alguns desses gerentes comparecem aos postos apenas para registrar o ponto e se ausentam em seguida.
No final do ano passado, o vereador Felipe de Melo Lacerda (PCdoB) apresentou uma queixa contra o prefeito Otoniel Teixeira. O documento aponta que o gestor teria assinado e ordenado pagamentos de diárias para si mesmo, o que viola o princípio da segregação de funções, conforme as Leis 14.133/2021 e 4.320/1964.
A investigação revelou pagamentos de diárias para agendas em Brasília, enquanto o prefeito estaria em Barreiras no mesmo período, conforme postagens em redes sociais. Além disso, um dos processos indicou o recebimento de R$ 1.313,13 acima do valor permitido, e não foram apresentadas fotos, relatórios ou atas que comprovassem a realização das agendas oficiais.
Em outubro de 2023, o Hospital Municipal Eurico Dutra também foi alvo de denúncias do vereador João Felipe (PCdoB) sobre condições precárias. O parlamentar relatou que pacientes de diferentes gêneros dividiam enfermarias sem privacidade e que os banheiros estavam em condições insalubres. A prefeitura minimizou as críticas na época, atribuindo os problemas à "longevidade de operação" do hospital e à necessidade de manutenções frequentes na rede hidráulica.
O embate entre o Legislativo e o Executivo de Barreiras se intensificou com a falta de transparência. O vereador João Felipe afirmou que a gestão ignorou pedidos de informações oficiais, especialmente sobre o contrato de fornecimento de fraldas descartáveis. Ele relatou ainda um episódio de hostilidade na Secretaria de Saúde, onde teria sido ameaçado de processo ao buscar documentos no setor de contratos.

