O uso de medicamentos como Ozempic, Mounjaro e Wegovy, conhecidos como canetas emagrecedoras, registrou um aumento expressivo no Brasil, superando a importação de produtos como salmão e smartphones em 2025. O crescimento de 88% em relação ao ano anterior, conforme dados do Conselho Federal de Farmácia, gerou um debate sobre a relação desses tratamentos com a cirurgia bariátrica.
Essas canetas, que utilizam o princípio ativo da semaglutida, foram inicialmente desenvolvidas para o tratamento de diabetes tipo 2. No entanto, ganharam popularidade devido ao seu impacto significativo na perda de peso, sendo amplamente utilizadas como tratamento para obesidade.
Segundo a endocrinologista e metabologista Taciane Mega, a cirurgia bariátrica, embora mais invasiva, promove uma mudança metabólica que eleva hormônios da saciedade e modifica o trato intestinal. Este procedimento irreversível resulta em uma perda de peso mais rápida e significativa do que as canetas emagrecedoras.
Diferenças e impacto na saúde
As canetas emagrecedoras, por sua vez, atuam aumentando o nível de saciedade através do hipotálamo, diminuindo a vontade de comer. A médica Taciane Mega explica que o uso dessas canetas precisa ser contínuo para manter a perda de peso, com um pico de resultados entre 12 e 18 meses. Em comparação, a bariátrica oferece uma perda de peso maior e mais rápida.
Do ponto de vista econômico, a cirurgia bariátrica pode ser mais vantajosa a longo prazo, pois é um tratamento permanente. Já as canetas exigem uso contínuo, e a interrupção pode levar ao reganho de peso se a dieta não for controlada. Ambas as opções apresentam vantagens e desvantagens, como deficiência de vitaminas na bariátrica e efeitos colaterais gastrointestinais nas canetas, como náuseas e dor abdominal.
Queda na procura por bariátricas e tratamentos aliados
A popularização das canetas emagrecedoras impactou diretamente a procura por cirurgias bariátricas. Dados apresentados na 24ª Semana Brasileira de Aparelho Digestivo, em 2025, revelaram uma queda de 55 mil cirurgias no setor privado em 2022 para 13.954 em 2025. A doutora Taciane Mega atribui essa diminuição à eficácia das canetas e seus menores efeitos colaterais em comparação à bariátrica.
Apesar da concorrência, os dois tratamentos podem ser aliados no combate à obesidade. É possível iniciar com as canetas e, se necessário, realizar a bariátrica, especialmente em pacientes com comorbidades como glicose e pressão altas. As canetas também podem ser usadas por quem já fez a bariátrica e voltou a ganhar peso, com atenção ao risco de hipoglicemia. A decisão sobre o melhor tratamento deve ser individualizada e acompanhada por profissionais de saúde.

