O mercado de trabalho na Bahia vive um período de transição com a crescente presença da Inteligência Artificial (IA). Uma pesquisa divulgada nesta segunda-feira (30) pela AtlasIntel, em parceria com o Grupo A TARDE, mostra que o trabalhador baiano enxerga a IA como uma ferramenta de auxílio, e não como uma ameaça de desemprego.
Apesar do otimismo, o estudo aponta desafios como o letramento digital e disparidades regionais. Há também um fenômeno psicológico, onde muitos acreditam que a tecnologia afetará o trabalho de colegas, mas não o próprio posto.
Segundo a pesquisa, 35% dos entrevistados acreditam que a IA pode realizar algumas tarefas, mas não substituirá completamente a função humana. Outros 21,7% afirmam categoricamente que a tecnologia não ameaça seus empregos.
Percepções e o 'ponto cego' da automação
O levantamento detalha que 17,7% dos baianos admitem que a IA afetará o trabalho de muitas pessoas, mas se consideram imunes ao processo. Apenas uma minoria acredita que a tecnologia poderia realizar a totalidade ou grande parte de suas funções atuais.
A utilidade da Inteligência Artificial é percebida de forma diferente por gênero e idade. Mulheres (47,3%) são as que mais veem a IA como capaz de realizar tarefas parciais, enquanto homens (22,1%) têm uma percepção de utilidade significativamente menor. A Geração Z (16 a 24 anos) lidera o entusiasmo, com 44,5% vendo a tecnologia como assistente viável, e o interesse diminui com o avanço da faixa etária.
O impacto da IA também varia por renda e região. A faixa de renda entre R$ 3.000 e R$ 5.000 tem a maior percepção de mudança (49,2%), enquanto para rendas acima de R$ 10.000, a sensação de impacto cai para 29,9%. No interior, cidades como Feira de Santana (35,3%) e o eixo Juazeiro, Paulo Afonso e Irecê (até 57,9%) superam Salvador (31,5%) em critérios de opinião sobre o impacto da IA mercado trabalho Bahia.
Especialistas divergem sobre futuro da IA no trabalho
Murilo Ribeiro, gerente de tecnologia e IA do SENAI CIMATEC, afirmou ao Portal A TARDE que o baixo temor de substituição reflete uma tendência global. Ele citou dados do Fórum Econômico Mundial, que preveem um saldo positivo de 78 milhões de novos postos de trabalho no mundo até 2025, indicando que as funções são transformadas, e não extintas.
Em contrapartida, o economista Antônio Carvalho alerta para o risco do "crescimento sem emprego". Ele pontua que processos mais eficientes demandam menos mão de obra e que, no longo prazo, atividades repetitivas tendem a sofrer redução e gerar desemprego. Carvalho também destacou que o abismo econômico entre a Região Metropolitana de Salvador e o interior pode se intensificar pela distância entre profissionais qualificados e aqueles sem letramento digital.
Na Bahia, o SENAI já atua para democratizar o acesso à IA. Evandro Mazo, diretor regional do SENAI Bahia, explicou que grandes empresas já usam algoritmos para manutenção preditiva. A instituição lançará o Centro de Serviços Industriais (CSI) em abril e uma "trilha de formação em IA" para o final do semestre, visando transformar o operário em um "curador" da máquina.
André França, gerente de educação do Senac Bahia, observa que o interesse pela Inteligência Artificial se expandiu para áreas como Gastronomia e Moda. Contudo, ele alerta que o entusiasmo nem sempre vem acompanhado de habilidade, ressaltando a necessidade de letramento digital básico para que os profissionais baianos possam aproveitar as oportunidades da IA mercado trabalho Bahia.

