A maioria dos baianos ainda prefere o atendimento humano à rapidez da Inteligência Artificial (IA), mesmo que isso signifique maior tempo de espera. É o que indicou um novo levantamento da AtlasIntel/A Tarde, realizado com 1.718 entrevistados no estado.
A pesquisa, divulgada nesta terça-feira (11), mostra que, embora a IA tenha se tornado uma preferência para quase quatro em cada dez baianos, o "fator humano" ainda é considerado imprescindível pela maioria da população.
Segundo o estudo, 39,1% dos baianos consideram o atendimento humano indispensável. Outros 33,1% aceitam a IA, mas ainda preferem interagir com pessoas. Apenas 9,3% aceitam a tecnologia como um filtro inicial, desde que haja a possibilidade de contato com um atendente humano.
Desconfiança na IA para decisões críticas
Os dados revelam um cenário de cautela e desconfiança em relação à IA. Apenas 0,4% dos baianos aceitam ser atendidos exclusivamente por inteligência artificial. Além disso, mais da metade dos entrevistados, 50,9%, não confia na tecnologia para decisões críticas em áreas como Medicina ou Finanças. Somente 11,6% depositam confiança total nas respostas geradas por algoritmos.
Elvis Vaz, CTO da Ciberian Tecnologia, reforça que a desconfiança do baiano tem fundamento técnico. Ele afirma que nem mesmo os profissionais da área confiam 100% na IA, e que o trabalho de sua equipe hoje envolve a revisão de itens gerados por essa tecnologia.
Léo Villanova, estrategista de comunicação e IA aplicada a negócios, compara a situação com o início da internet, quando também havia receio em relação a compras online e compartilhamento de dados. Ele projeta que a confiança na inteligência artificial aumentará com o uso mais consciente e a educação sobre a ferramenta.
O desafio da "alucinação" e a necessidade de revisão humana
Um dos pontos de preocupação é o fenômeno da "alucinação" da IA, que ocorre quando a máquina gera informações incorretas ou inventadas. Yuri Almeida, do Labcaos marketing político, explica que o cruzamento de dados pode errar, e a própria IA alerta sobre a possibilidade de cometer erros.
Vicente Aguiar, consultor do programa da ONU para o desenvolvimento (PNUD) e do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), detalha que o ChatGPT, por exemplo, foi feito para criar. Se a pergunta não for específica e restrita a uma base de dados, a IA pode "alucinar" e gerar uma resposta imprecisa.
Para superar as barreiras da desconfiança, especialistas sugerem que toda atividade executada por uma IA tenha um processo de validação para evitar problemas. A educação e a experiência são vistas como caminhos para aperfeiçoar a relação dos baianos com essas ferramentas.
Iniciativas na Bahia e no setor bancário
A Secretaria de Ciência, Tecnologia e Inovação (SCTI) da Bahia trabalha no desenvolvimento de uma Inteligência Artificial para a gestão pública. O objetivo é alinhar o avanço tecnológico a princípios éticos, à soberania e segurança dos dados, à valorização da identidade territorial e ao desenvolvimento econômico sustentável em todo o estado, segundo Marcius Gomes, titular da pasta.
A Federação Brasileira dos Bancos (Febraban) também registra crescimento anual no investimento em IAs. Um relatório recente destaca programas de desenvolvimento de novas habilidades para que os colaboradores se integrem ao processo de digitalização, que é considerado irreversível.

