Um jovem de Nova Ibiá, no interior da Bahia, transformou a realidade de sua família ao ingressar no curso de Direito da Universidade de São Paulo (USP). Eduardo Bittancourt, filho de agricultor e ex-empregada doméstica, superou a falta de recursos e o isolamento de sua cidade natal com o apoio de uma organização social.
Atualmente, Eduardo, 20 anos, estagia em escritórios de advocacia na capital paulista e já consegue auxiliar financeiramente seus pais. A trajetória do estudante, que sempre buscou "alçar voos maiores", é um exemplo de dedicação e superação.
Segundo Eduardo, a vida em Nova Ibiá era "sufocante" e marcada pela "invisibilidade". Seus pais, Ivonildo e Marineide, trabalhavam arduamente para sustentar a família, mas não tinham condições de oferecer um curso de inglês ou uma escola particular ao filho.
O apoio do Instituto Ponte
A virada na vida de Eduardo começou no segundo ano do Ensino Médio, quando ele descobriu o Instituto Ponte. A organização social, fundada há 12 anos no Espírito Santo, atua como um "olheiro para a educação", identificando e apoiando jovens talentos de baixa renda.
De acordo com Alice Ponte, representante da instituição, o Instituto oferece acompanhamento integral por cerca de 11 anos. O suporte inclui bolsas de estudo em escolas particulares, custeio de material didático e transporte, aulas de reforço e acompanhamento socioemocional.
Após um rigoroso processo seletivo, Eduardo ingressou no projeto. Ele recebeu apoio pedagógico em português e matemática, além de orientação psicológica e profissional, que o ajudou a trocar o sonho inicial da Medicina pelo Direito.
Conquista da USP e novos horizontes
Com o suporte do Instituto Ponte, Eduardo conseguiu uma bolsa em um pré-vestibular, onde estudava online após a escola regular. O esforço resultou em aprovações em Direito na Universidade Federal da Bahia (UFBA), na Universidade Federal do Espírito Santo (UFES) e, finalmente, na USP, seu grande sonho.
A mudança para São Paulo representou um novo capítulo. Inicialmente, ele morou na casa de um doador do Instituto. Hoje, com as bolsas e o estágio na área tributária, Eduardo tem seu próprio espaço e envia dinheiro para os pais na Bahia.
Primeiro de sua família a ingressar em uma universidade pública, Eduardo sentiu o impacto da formação de qualidade. "Eu já ganhava mais que meu pai e minha mãe juntos. Em um ano de faculdade, é surreal", relata o estudante baiano.
Além de se sustentar e ajudar a família, Eduardo conseguiu realizar o sonho de ir ao Carnaval do Rio de Janeiro, um momento que descreve como uma grande conquista pessoal. A história do baiano na USP também o levou a abordar o racismo em um evento do Instituto, traçando um paralelo com o abolicionista Luiz Gama, que frequentou a mesma faculdade no século XIX.

