A Bahia consolidou sua liderança em pós-graduação no Nordeste, conforme a atualização dos resultados da avaliação quadrienal da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES), divulgada nesta semana.
O estado registrou a maior evolução regional, com 59 programas que tiveram aumento de nota, além de 119 que mantiveram a qualidade. A Bahia possui 210 programas de pós-graduação, distribuídos entre universidades públicas e privadas.
Segundo a CAPES, fundação vinculada ao Ministério da Educação (MEC), a avaliação é o principal mecanismo de aferição da qualidade da pós-graduação brasileira. O processo analisa critérios como produção científica, impacto das pesquisas, formação de mestres e doutores, internacionalização e inserção social dos programas.
Fomento à pesquisa impulsiona a pós-graduação na Bahia
O avanço da pós-graduação na Bahia está diretamente relacionado ao fortalecimento das políticas estaduais de fomento à pesquisa. A Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado da Bahia (Fapesb), ligada à Secretaria de Ciência, Tecnologia e Inovação (Secti), ampliou os investimentos em bolsas e programas estratégicos.
Entre 2021 e 2024, a Fapesb, em parceria com as Instituições de Ciência e Tecnologia (ICTs) baianas, captou R$ 34,1 milhões da CAPES. Com a contrapartida de R$ 7,4 milhões da Fundação, o investimento total soma aproximadamente R$ 41,5 milhões, destinados à concessão de bolsas e ao apoio aos programas de pós-graduação.
Para Handerson Leite, diretor-geral da Fapesb, os resultados refletem um esforço conjunto entre governo, instituições de ensino superior e comunidade científica. Ele destaca o papel da Fapesb e da Secti nos acordos de cooperação com a CAPES, que fortalecem os programas e viabilizam pesquisas.
Bahia em destaque no cenário regional
O desempenho coloca a Bahia em posição de destaque na região, concentrando cerca de 22% dos 957 programas de pós-graduação avaliados pela CAPES no Nordeste. Pernambuco, com 164 programas, também integra o grupo de estados com forte presença na formação de mestres e doutores.
Marcius Gomes, secretário da Secti, afirmou que o avanço da pós-graduação na Bahia reflete uma estratégia de fortalecimento da Ciência, Tecnologia e Inovação (CT&I) com foco no desenvolvimento dos Territórios baianos. Ele ressaltou que investir na formação de mestres e doutores significa investir no futuro do estado.
Fernanda Gaiotto, pró-reitora de pesquisa e pós-graduação da Universidade Estadual de Santa Cruz (UESC), no sul da Bahia, reforça o protagonismo das instituições baianas. Ela atribui o sucesso coletivo ao diálogo com a CAPES e aos investimentos do Governo do Estado, por meio de editais como os Incites e o Ciência na Mesa.
O professor Robério Rodrigues Silva, pró-reitor de pesquisa e pós-graduação da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (UESB), avalia o avanço como resultado de uma política institucional. Ele destaca a importância de políticas que reduzam desigualdades regionais na produção científica, dando visibilidade a universidades fora dos grandes centros.
Próximos passos para a pós-graduação
A Secti está estruturando normativas para o desenvolvimento da ciência, tecnologia e inovação, a partir das contribuições das políticas de pesquisa e pós-graduação das universidades e institutos. O objetivo é transformar o conhecimento científico em desenvolvimento socioeconômico, geração de emprego e renda, e melhoria da qualidade de vida da população baiana.

