Política

Artistas podem ficar de fora do São João da Bahia com teto de R$ 700 mil

Prefeitos da Bahia propõem limite de R$ 700 mil para cachês de artistas no São João. Nomes como Ivete Sangalo e Wesley Safadão superam o valor e podem não se apresentar.
Por Redação
Artistas podem ficar de fora do São João da Bahia com teto de R$ 700 mil
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A União dos Municípios da Bahia (UPB) propôs, em reunião nesta quarta-feira, 4, um limite de R$ 700 mil para a contratação de bandas nas festas juninas do estado. Se essa medida for realmente adotada, vários artistas conhecidos podem não participar dos festejos na Bahia neste ano.

A decisão dos prefeitos de estabelecer um teto para os gastos por atração vem depois de muitas reclamações sobre os altos valores cobrados pelos cantores nos últimos anos. Agora, os gestores municipais planejam levar essa discussão ao Ministério Público do Estado (MPBA), que é o órgão responsável por fiscalizar o uso do dinheiro público nos cachês das festas.

Grandes nomes que superam o teto de R$ 700 mil

Um levantamento feito pelo Portal A TARDE, baseado em dados do Portal da Transparência do MPBA de 2025, mostra que 12 artistas tiveram cachês acima do novo limite. Entre eles, estão nomes como Alok, Ivete Sangalo e Wesley Safadão, que apresentou o maior valor.

  • Wesley Safadão: R$ 1,1 milhão
  • Jorge e Mateus: R$ 900 mil
  • Nattan: R$ 900 mil
  • Ana Castela: R$ 805 mil
  • Zé Neto e Cristiano: R$ 804 mil
  • Simone Mendes: R$ 800 mil
  • Zé Neto e Cristiano: R$ 800 mil
  • Bruno e Marrone: R$ 784 mil
  • Maiara e Maraísa: R$ 754 mil
  • Ivete Sangalo: R$ 750 mil
  • Leonardo: R$ 750 mil
  • Alok: R$ 750 mil

Gastos milionários em 2025 e o cenário das festas

No ano passado, as prefeituras da Bahia gastaram um total de R$ 614 milhões para contratar bandas e artistas. Foram 2.851 artistas contratados para mais de 6 mil apresentações. A maior parte desse dinheiro, cerca de R$ 494 milhões, veio dos próprios cofres municipais. O governo do estado colaborou com R$ 83,5 milhões e o governo federal com R$ 16,1 milhões.

Algumas cidades se destacaram pelos altos investimentos em seus festejos juninos em 2025. Os três municípios que mais gastaram foram:

  • Cruz das Almas, na Bahia: R$ 10,56 milhões
  • Jequié, na Bahia: R$ 10,21 milhões
  • Conceição do Jacuípe, na Bahia: R$ 9,75 milhões

Reunião busca valorizar artistas baianos

Com toda essa discussão, está marcada uma reunião entre os forrozeiros e a direção da UPB. O encontro contará com a presença de Wilson Cardoso (PSB), prefeito de Andaraí, na Bahia, e presidente da União dos Municípios da Bahia. A ideia é discutir uma proposta para valorizar os artistas locais e sensibilizar prefeitos e outras instituições para aprovar um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) focado em dar mais espaço e reconhecimento aos talentos da Bahia.

"Os prefeitos buscam um equilíbrio entre a qualidade das festas e a responsabilidade com o dinheiro público, além de reforçar o compromisso com a cultura local", afirmou uma fonte ligada à UPB.

A iniciativa dos prefeitos baianos visa garantir a sustentabilidade das festas juninas, uma das maiores tradições do Nordeste, sem que os custos excessivos comprometam outras áreas importantes para os municípios.