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Aos 70, Desirée Dalia nada Salvador–Mar Grande sozinha e celebra 30ª

Aos 70 anos, Desirée Dalia completou sozinha a travessia Salvador–Mar Grande (ida e volta), sua 30ª jornada. Enfrentando chuva e correntezas, a atleta dedicou quase nove horas ao feito.
Por Redação
Aos 70, Desirée Dalia nada Salvador–Mar Grande sozinha e celebra 30ª

Atleta completousua 30ª travessia -

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A paixão por desafios não tem idade, e a nadadora Desirée Dalia prova isso mais uma vez. Aos 70 anos, ela completou sozinha a travessia de ida e volta entre Salvador e Mar Grande, na Bahia, em um feito que marca sua 30ª jornada aquática. A largada aconteceu na madrugada do último domingo, dia 25, no famoso Porto da Barra, em Salvador, e Desirée tocou o chão novamente quase nove horas depois, às 11h50, mostrando uma resistência impressionante.

Uma Jornada Desafiadora no Mar Aberto

Não foi uma prova fácil. Desirée enfrentou as condições reais do mar aberto, incluindo chuva e fortes correntezas que exigem não só um preparo físico de altíssimo nível, mas também uma mente inabalável. O percurso, que já é desafiador para atletas mais jovens, torna-se ainda mais notável pela idade da nadadora e pela sua decisão de fazê-lo sem revezamento.

Para Desirée, no entanto, o desafio vai além das braçadas e da distância. Ela descreve o que chama de “outras travessias”, obstáculos invisíveis para quem acompanha de fora, mas que são cruciais para a superação.

“A gente nada, treina, mas tem que ter o mental muito preparado. Quando você vai, tem uma outra travessia que é passar do farol. E quando volta, tem uma outra ainda, que é chegar no ponto da Barra, por causa da correnteza”, contou a atleta, revelando a profundidade do seu preparo psicológico.

Preparação Impecável e Apoio Crucial

Engana-se quem pensa que o feito de Desirée foi impulsivo. Pelo contrário, cada detalhe da prova foi fruto de planejamento e dedicação rigorosos. Ela fez questão de enfatizar que nada foi irresponsável, mas sim o resultado de meses de foco total em alimentação, treinos específicos e, principalmente, no apoio de pessoas que acreditaram em seu potencial.

“Eu me preparei para isso. Não fiz nada irresponsável. Foquei em alimentação, treino e tive apoio”, afirmou Desirée.

A nadadora fez questão de destacar o suporte fundamental que recebeu. Mencionou o apoio de Bruno Riela e a confiança de Arapiraca, um técnico renomado em ultramaratona, cujo incentivo foi decisivo. “Quando Arapiraca, que é um baita técnico de ultramaratona, acreditou e encostou, deu no que deu”, relatou ela, ressaltando que o sucesso é uma combinação de preparação física, mental e a força da colaboração.

Da Tempestade de 1991 às 30 Travessias

A chuva que caiu no domingo, durante a travessia, trouxe à tona memórias vívidas da primeira vez que Desirée se jogou ao mar para uma grande jornada. Em 1991, sua estreia também foi marcada por condições climáticas extremas. “Foi uma tempestade, uma tempestade mesmo. Quando cheguei, falei: ‘nunca mais vou fazer uma travessia’”, relembrou, com um sorriso.

O “nunca mais”, no entanto, se transformou em uma inspiradora história de persistência. Três décadas depois, Desirée Dalia não só continuou, como somou 30 travessias, desafiando ondas, correntezas e o próprio tempo. Ela brinca com a sua promessa antiga, mostrando que a paixão por nadar e superar limites é mais forte do que qualquer juramento.

“Eu digo que nunca mais faço… mas não confiem em mim”, disse Desirée, entre risos e emoção, deixando claro que seu espírito aventureiro ainda tem muitos quilômetros aquáticos para percorrer.