A crescente oferta de alimentos com proteína adicionada, como picolés, biscoitos e até cervejas, levanta um alerta sobre a real funcionalidade e os riscos à saúde. Em entrevista ao jornal A Tarde, o nutricionista Davi Costa dos Reis destacou que a presença de proteína não torna um produto automaticamente saudável, especialmente quando se trata de ultraprocessados.
A indústria alimentícia tem explorado a tendência da busca por mais proteína, adicionando o nutriente a uma vasta gama de produtos. Essa estratégia visa atrair consumidores com a promessa de maior saciedade, ganho de massa muscular e uma rotina mais saudável, conforme observado em supermercados e redes de fast food.
Segundo Davi Costa dos Reis, o consumidor precisa ir além do destaque nas embalagens. Muitos desses produtos, mesmo com proteína, são ultraprocessados e contêm aditivos como corantes, aromatizantes, adoçantes e conservantes, que podem comprometer a qualidade nutricional. A lista de ingredientes, muitas vezes extensa, revela a complexidade dessas formulações.
O alerta por trás dos rótulos
A comparação entre fontes de proteína é crucial. O especialista enfatiza a diferença entre consumir proteína em alimentos naturais e em produtos industrializados. Alimentos in natura devem ser a base da alimentação, pois oferecem proteína e um conjunto equilibrado de micronutrientes. Já os industrializados, mesmo enriquecidos, tendem a ter mais sódio, aditivos e menor densidade nutricional.
Apesar das ressalvas, os alimentos proteicos industrializados podem ter um papel pontual. Davi Costa dos Reis explica que eles podem ser úteis em situações específicas, como rotinas muito corridas ou necessidades aumentadas de ingestão proteica. O problema ocorre quando esses produtos substituem refeições equilibradas ou são consumidos em excesso, resultando em aumento calórico e maior ingestão de ultraprocessados.
A forma como esses produtos são comercializados também é um ponto crítico. A proteína, muitas vezes, funciona como um "selo de saúde" que mascara outros problemas, como o excesso de açúcar, sódio e aditivos. A adição de proteína não transforma um milkshake ou um lanche de fast food em saudável, pois eles continuam sendo, em geral, calóricos e ricos em gordura e sódio.
A recomendação média de proteína para a população geral varia entre 1,2 e 1,6 gramas por quilo de peso corporal, podendo ser maior para atletas. Acima dessas necessidades, o excesso pode contribuir para o aumento calórico total sem trazer benefícios adicionais. O ideal, segundo o nutricionista, é priorizar "comida de verdade" e uma alimentação o mais natural possível para um impacto positivo na saúde.

