Polícia

Agente baiano é exonerado após condenação por planejar matar Lula

Wladimir Matos Soares, conhecido como 'Mike Papa', teve o vínculo com a PF rompido por determinação do STF após condenação a 21 anos de prisão
Por Redação
Agente baiano é exonerado após condenação por planejar matar Lula
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O Ministério da Justiça e Segurança Pública exonerou, nesta terça-feira (31), o policial federal baiano Wladimir Matos Soares, de 53 anos. Ele foi condenado a 21 anos de prisão por envolvimento em uma tentativa de golpe de Estado que incluía o planejamento da morte do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

A exoneração de Wladimir Matos Soares, que atuou por 22 anos na Polícia Federal, foi publicada no Diário Oficial da União (DOU). A medida cumpre uma determinação do Supremo Tribunal Federal (STF) para a perda do cargo público de todos os condenados em casos como este.

Segundo a Procuradoria-Geral da República (PGR), Wladimir Matos Soares integrava o chamado “Núcleo 3”, conhecido como "kids pretos". Este grupo era responsável por planejar a morte de autoridades como o presidente Lula, o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) e o ministro Alexandre de Moraes.

Detalhes da investigação e atuação do agente baiano

De acordo com a Polícia Federal (PF), perícias de áudios revelaram que Wladimir Soares declarou fazer parte de um grupo armado. O objetivo era defender o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

Em um dos áudios, o policial afirmou: "A gente ia com muita vontade, íamos empurrar meio mundo de gente, íamos matar meio mundo de gente, não estava nem aí mais". A PF também informou que Wladimir Matos Soares teria atuado de forma infiltrada na equipe de segurança durante a campanha eleitoral de 2022. O objetivo era obter e repassar informações estratégicas.

Natural de Salvador, Wladimir Matos Soares possui um histórico de atuação em diversas áreas da PF. Ele chegou a integrar o setor de inteligência da Secretaria de Segurança Pública da Bahia (SSP-BA) em 2008, onde permaneceu por um ano. Após a passagem pela SSP-BA, o agente da PF continuou trabalhando em Salvador antes de ser transferido para Brasília.

Os acusados do grupo "kids pretos", composto por militares das Forças Especiais do Exército e um policial federal, são apontados pela PGR como responsáveis por ações táticas da tentativa de golpe. Eles monitoravam alvos e planejavam sequestros e execuções. Os crimes incluem tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito, tentativa de golpe de Estado, envolvimento em organização criminosa armada, dano qualificado e deterioração de patrimônio tombado.