Política

Acadêmicos de Niterói homenageia Lula e gera debate no carnaval

Desfile da Acadêmicos de Niterói homenageia Lula, causando polêmica com alusões a Bolsonaro e críticas de propaganda eleitoral. Justiça alerta, e Globo é criticada por cobertura.
Por Redação
Acadêmicos de Niterói homenageia Lula e gera debate no carnaval

Presidente Lula durante desfila na Marquês de Sapucaí -

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O desfile da escola de samba Acadêmicos de Niterói, a primeira a pisar na Marquês de Sapucaí neste último domingo, agitou as redes sociais e provocou uma série de reações. Com o enredo “Do alto do Mulungu surge a esperança: Lula, o operário do Brasil”, a agremiação prestou uma homenagem marcante ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, gerando polêmica e críticas que se estenderam até mesmo à TV Globo.

Durante a apresentação, o ator Paulo Vieira encarnou o presidente, que assistiu à homenagem em um camarote da Prefeitura do Rio de Janeiro e, em seguida, desceu para acompanhar a festa de perto na avenida. O samba da escola não economizou nas referências políticas, destacando a trajetória de Lula e repetindo o grito de guerra dos militantes: “Olê, olê, olê, olá, Lula, Lula”. Além disso, o enredo fez diversas menções ao número de urnas do Partido dos Trabalhadores (PT), o 13.

Alusões a Bolsonaro e a polêmica na Sapucaí

Um dos pontos que mais chamou atenção e gerou controvérsia foi a representação do ex-presidente Jair Bolsonaro no desfile. Ele apareceu na figura de um palhaço em uma cela, vestindo as tradicionais roupas listradas de presidiário e uma tornozeleira eletrônica que dava sinais de violação. A imagem remeteu à revogação da prisão domiciliar de Bolsonaro em novembro do ano passado, quando ele seguiu para um presídio.

A homenagem a Lula e as alusões a Bolsonaro rapidamente incendiaram o debate na internet. Opositores do atual governo criticaram o desfile, chamando-o de propaganda eleitoral antecipada, especialmente em ano eleitoral. Houve até quem acionasse a Justiça para tentar impedir a participação do presidente no evento. As acusações também incluíram o uso de dinheiro público para promover o presidente.

“Nossa ação contra os crimes do pt na Sapucaí, com dinheiro público, será protocolada rapidamente no TSE! Além dos ataques pessoais a Bolsonaro, eles atacaram o maior projeto de Deus na Terra: a FAMÍLIA! Vamos vencer o mal com o BEM!”, publicou o senador Flávio Bolsonaro, que pretende se candidatar à presidência neste ano, em suas redes sociais.

Outro crítico foi o senador Sérgio Moro, que acusou a Acadêmicos de Niterói de usar verba pública para fazer campanha para Lula. Contudo, Moro omitiu que o financiamento federal se estendeu a todas as escolas de samba do Grupo Especial, um detalhe crucial para entender a defesa do governo.

Governo defende financiamento e TSE alerta

O Governo Federal se defendeu, explicando que a Agência Brasileira de Promoção Internacional do Turismo (Embratur) destinou R$ 12 milhões, que foram distribuídos igualmente entre as doze escolas do Grupo Especial do carnaval do Rio de Janeiro. Isso significa que a Acadêmicos de Niterói, assim como as demais, recebeu cerca de R$ 1 milhão. Marcelo Freixo, presidente da Embratur, esclareceu que a escolha dos enredos é livre e não há favorecimento político.

“Não há nenhum favorecimento com alguma relação com o enredo. Se uma escola homenageia o Lula, se outra homenageia a Rita Lee, se outro vai homenagear o Ney Matogrosso, essa é uma escolha de cada escola. Nós somos um órgão de promoção do Brasil e não de censura”, afirmou Freixo.

A principal preocupação dos opositores é que a homenagem configure uma campanha eleitoral antecipada, o que poderia, em tese, levar à inelegibilidade de Lula. O Partido Novo chegou a tentar proibir a homenagem no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), mas o pedido foi negado sob a alegação de que seria censura. A presidente do TSE, ministra Cármen Lúcia, mesmo negando a censura, fez um alerta sério.

“Isto aqui não parece ser cenário de areias claras de uma praia, parece mais areia movediça. Quem entra, entra sabendo que pode afundar”, disse a ministra antes do desfile, enfatizando que “a festa popular do Carnaval não pode ser uma fresta para ilícitos eleitorais”.

Diante dos alertas, o diretório do PT no Rio de Janeiro orientou seus militantes a evitar o uso de vestimentas, faixas ou qualquer elemento visual que fizesse referência ao partido, ao número 13, às eleições de 2026 ou a pleitos anteriores, como “Lula 2026” ou “Lula outra vez”. O partido destacou que o descumprimento das recomendações poderia “prejudicar significativamente o Partido dos Trabalhadores e o Presidente Lula”.

TV Globo criticada por cobertura do desfile

A polêmica não parou nas questões políticas e jurídicas; a transmissão da TV Globo também virou alvo de críticas. Detentora dos direitos de exibição do desfile, a emissora foi acusada por muitos internautas de tentar “esconder” a homenagem a Lula. As reclamações surgiram porque a Globo não exibiu o início do desfile da Acadêmicos de Niterói, a primeira escola a desfilar, justamente o momento que exaltava o presidente.

  • “Metade da Acadêmicos de Niterói já está na avenida e a Globo continua falando coisas ao invés de deixar o público ver a escola”, reclamou um internauta.
  • Outro observou: “Eu tô achando engraçado a dificuldade dos comentaristas da Globo em falar a palavra Lula. Há 45 anos é assim. A Globo de um lado e a gente e o Lula de outro.”

A situação gerou memes e mais debate nas redes sociais, com muitos apontando uma suposta tentativa da emissora de minimizar o impacto da homenagem política no maior espetáculo da Terra. Mesmo após a demora, a Globo acabou exibindo a explicação do samba-enredo, mas a controvérsia sobre a cobertura permaneceu.