Um estudo conduzido por pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP) comprovou a eficácia da estimulação cognitiva para idosos. A pesquisa, que teve colaboração do Departamento de Gerontologia da Escola de Artes, Ciências e Humanidades (Each-USP) e do Grupo de Neurologia Cognitiva e do Comportamento da Faculdade de Medicina da USP, foi apresentada em São Paulo na última quarta-feira (11).
O levantamento aponta ganhos significativos associados ao Programa de Estimulação Cognitiva do método Supera. Entre os resultados, destacam-se a melhora da memória, da saúde mental e da qualidade de vida dos participantes.
De acordo com Thais Bento, doutora em neurologia pela Faculdade de Medicina da USP e gerontóloga pela Each-USP, os participantes que fizeram a estimulação cognitiva tiveram desempenho mais elevado nas avaliações neuropsicológicas. Os ganhos cognitivos foram mais significativos após 18 meses de programa.
Detalhes da pesquisa e benefícios
A pesquisa contou com 207 participantes, todos com 60 anos ou mais e cognitivamente saudáveis. Eles foram divididos em três grupos: experimental (com o programa Supera), controle ativo (com aulas sobre envelhecimento saudável) e controle passivo (sem intervenção).
Os resultados mostraram que a intervenção reduziu em 60% a frequência de esquecimentos e melhorou em 40% o desempenho da memória. Além disso, houve melhora do humor e da percepção da qualidade de vida.
Bárbara Perpétuo, vice-presidente do Supera, explicou que o envelhecimento cerebral é natural, mas a demência não. A estimulação cognitiva trabalha na reserva cognitiva, criando mais conexões neuronais e sinapses, o que ajuda a compensar a perda de neurônios e a manter a autonomia por mais tempo.
O esquecimento em idosos, embora comum, pode ser mitigado com estímulos adequados. A metodologia utilizada no estudo, que inclui livros, ábaco, jogos e dinâmicas, exige presença e desconexão de celulares, trabalhando concentração, foco e atenção sustentada.
Para jovens adultos, o esquecimento é preocupante quando afeta a qualidade de vida, o desempenho ocupacional e a interação social. Nesses casos, a busca por auxílio profissional especializado é fundamental para investigar a causa da dificuldade.

