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Treinadoras são minoria no futebol feminino, aponta FIFA; Bahia tem ex-jogadora como referência

Relatório de 2025 da FIFA indica que apenas 22% das equipes femininas são comandadas por mulheres, cenário que se repete no Brasil
Por Redação
Treinadoras são minoria no futebol feminino, aponta FIFA; Bahia tem ex-jogadora como referência
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A presença de mulheres em cargos de comando no futebol ainda é rara, mesmo em equipes femininas, segundo um relatório da FIFA divulgado em 2025. O estudo apontou que apenas 22% dos times de futebol feminino no mundo são comandados por mulheres. No Brasil, apenas três das 18 equipes do Brasileirão Série A1 Feminino têm treinadoras.

A baiana Dilma Mendes, ex-jogadora e atual treinadora da Seleção Brasileira Feminina de Futebol 7 (Fut7), destaca que a discrepância está ligada ao machismo e à falta de oportunidades. Ela ressalta que a proibição do futebol feminino no Brasil entre 1941 e 1979 gerou sequelas que persistem até hoje.

Dilma Mendes, uma das primeiras mulheres a atuar profissionalmente no futebol brasileiro, relembra o preconceito. "As pessoas não acreditavam que uma mulher podia entender de esquema tático, de padrão de jogo, de sistema", afirma a treinadora.

Desafios e oportunidades para treinadoras na Bahia e no Brasil

No cenário nacional, apenas Corinthians, Palmeiras e Atlético Mineiro, entre os 18 clubes da Série A1 do Brasileirão Feminino, são treinados por mulheres. A Seleção Brasileira Feminina, por sua vez, é comandada por Arthur Elias, ex-técnico do Corinthians.

A alemã Marie-Louise Eta fez história recentemente ao se tornar a primeira mulher a assumir o comando técnico de uma equipe masculina nas cinco principais ligas europeias, no Union Berlin. No Brasil, Nívia de Lima foi a primeira mulher a integrar a comissão técnica de um time da Série A masculina, na Chapecoense, em abril deste ano.

Para Dilma Mendes, o aumento de mulheres como treinadoras depende de conscientização e, principalmente, de acesso à qualificação. "Falta oportunidade. É preciso abrir espaço para estágios em categorias de base, além da oferta de cursos acessíveis, já que os que existem são muito caros", explica.

Os cursos de formação da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) para treinadores variam entre R$ 5 mil e R$ 25 mil. Many Gleize, coordenadora de Esportes do Esporte Clube Vitória, corrobora a visão de Dilma. Ela aponta que, além do machismo, a escassez de mulheres qualificadas leva os clubes a optarem por homens.

Apesar dos desafios, Many Gleize acredita que o mercado está se abrindo para as mulheres e que, com esforço e qualificação, elas serão maioria no futuro. A busca por equidade de gênero no esporte segue como um tema central para o desenvolvimento do futebol feminino.