A região do Matopiba, que abrange partes do Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia, consolidou-se como uma das principais fronteiras agrícolas do Brasil, mas enfrenta agora o desafio da sustentabilidade. A expansão futura do agronegócio na área depende de práticas mais responsáveis e do uso de tecnologias para solos menos férteis, segundo Marco Bomfim, chefe-geral da Embrapa Cocais (MA).
O avanço produtivo do Matopiba, impulsionado por terras mais baratas e logística facilitada, como portos e ferrovias, levou à ocupação das áreas mais aptas. Agora, o crescimento se volta para a recuperação de solos degradados e a adaptação às mudanças climáticas, conforme explicou Bomfim em entrevista.
De acordo com a Embrapa, há uma crescente pressão do mercado internacional por evidências de produção sustentável. A instituição busca garantir a produtividade com menor impacto ambiental, focando na recuperação de pastagens degradadas e na inclusão da agricultura familiar.
O Ministério da Agricultura estima um aumento de 30% na produção de commodities como soja, milho e algodão no Matopiba nos próximos quatro anos. Além disso, a região observa um crescimento significativo da agroindústria, especialmente as biorrefinarias de etanol, que diversificam a produção e impulsionam a pecuária.
A pesquisa científica desempenha um papel crucial para o desenvolvimento equilibrado do Matopiba. A Embrapa trabalha no desenvolvimento de tecnologias para o uso racional de solos arenosos e pedregosos, que retêm menos umidade, permitindo o cultivo de culturas como sorgo, gergelim e feijão-mungo na segunda safra, com menor demanda hídrica.

