Polícia

Salve Geral do PCC completa 20 anos; entenda a onda de ataques em São Paulo

Em maio de 2006, facção criminosa paralisou a capital paulista com rebeliões em presídios e ataques coordenados nas ruas, resultando em centenas de mortes
Por Redação
Salve Geral do PCC completa 20 anos; entenda a onda de ataques em São Paulo
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A onda de ataques conhecida como "Salve Geral" do Primeiro Comando da Capital (PCC) completa 20 anos em maio de 2026. Em 15 de maio de 2006, São Paulo viveu uma semana de terror com rebeliões em presídios e ações coordenadas da facção criminosa nas ruas, que paralisaram a maior cidade da América Latina.

A série de eventos, que incluiu ônibus incendiados, escolas e comércios fechados, e a execução de agentes de segurança, expôs a capacidade de articulação do PCC. A organização, que já expandia seu poder no sistema penitenciário, demonstrou força inédita ao coordenar ações simultâneas dentro e fora das prisões.

Segundo dados oficiais da época, a crise resultou em 564 mortos, sendo 59 agentes públicos e 505 civis. Muitos desses casos, especialmente os de civis, permanecem sem esclarecimento completo até hoje.

O estopim dos ataques e a resposta do PCC

O "Salve Geral" teve início após o vazamento de um plano de transferência de líderes do PCC para presídios de segurança máxima. Dias antes dos ataques, detalhes da operação foram revelados em uma sessão sigilosa da CPI do Tráfico de Armas, em Brasília. Um técnico de som vendeu a gravação da sessão por R$ 200 a advogados ligados à facção, e a informação chegou aos presídios antes da conclusão da operação.

A transferência de Marcos Willians Herbas Camacho, o Marcola, um dos líderes do PCC, para o Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic), no dia 12 de maio, foi um ponto crucial. Durante a conversa com delegados, Marcola teria declarado: "É a minha tropa contra a sua", horas antes de São Paulo começar a ser alvo dos ataques.

Os ataques atingiram delegacias, batalhões e bases policiais na capital e região metropolitana, incluindo quartéis do Corpo de Bombeiros. A facção utilizou celulares clandestinos e comunicação fragmentada para coordenar as ações, espalhando pânico e desorganização na cidade.

Impacto na população e a "cidade fantasma"

Na segunda-feira, 15 de maio, a capital paulista amanheceu em estado de suspensão. Mais de cinco milhões de pessoas ficaram sem transporte público devido à paralisação e queima de ônibus. Empresas dispensaram funcionários e o comércio fechou as portas, transformando a metrópole em uma "cidade fantasma".

O medo se espalhou rapidamente, impulsionado por rumores de novos ataques. Em bairros periféricos, moradores relataram o risco de serem confundidos tanto por criminosos quanto pela polícia, evidenciando a ausência do Estado e a sensação de insegurança coletiva. A escalada de mortes de civis em operações policiais nos dias seguintes aos ataques do PCC intensificou a crise, deixando muitas famílias sem respostas sobre a morte de seus entes queridos.