Polícia

Salvador: Terreiro Vandalizado Convoca Ato Contra Racismo Religioso

Um terreiro em Salvador, alvo de pichações de ódio, organiza ato público na quarta-feira (28) contra o racismo religioso e em defesa da liberdade de fé. O caso é investigado.
Por Redação
Salvador: Terreiro Vandalizado Convoca Ato Contra Racismo Religioso

Portões e paredes do templo foram violados -

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A comunidade do terreiro Nzo Mutá Lombô ye Kayongo Toma Kwiza, que fica no bairro de Cajazeira 11, em Salvador, está organizando um ato público importante. O evento, marcado para a próxima quarta-feira, dia 28 de fevereiro, tem como objetivo principal defender a liberdade religiosa e combater o racismo religioso, que infelizmente ainda é uma realidade no país.

A mobilização surge como uma resposta direta a um triste episódio de intolerância. No sábado, dia 17 de fevereiro, o templo sagrado de tradição Bantu foi alvo de um ataque de ódio. Suas paredes e portões amanheceram pichados com as palavras "Assassinos" e "Jesus" em tinta vermelha, um ato que chocou os membros da comunidade.

O ataque ao Nzo Mutá Lombô ye Kayongo Toma Kwiza é particularmente doloroso porque, em seus 33 anos de história, esta foi a primeira vez que o terreiro sofreu uma violação tão grave. Tatá Mutá Imê, o líder religioso do local, expressou a profunda tristeza com o ocorrido, que revela a persistência do preconceito contra as religiões de matriz africana.

A polícia acredita que o vandalismo aconteceu durante a madrugada. Até agora, os responsáveis não foram identificados. O caso foi registrado na Delegacia Especializada de Combate ao Racismo e à Intolerância Religiosa (Decrin), na tarde da segunda-feira, dia 19. A Polícia Civil da Bahia informou que está investigando o incidente como crimes de dano e intolerância religiosa, e que várias ações estão sendo feitas para encontrar e punir os autores.

Caminhada e Lavagem Simbólica

O ato público começará às 9h da manhã, com concentração marcada no cruzamento da Rua Geraldo Brasil com a Rua Juscelino Kubitschek. Os organizadores planejaram uma caminhada pacífica, seguida de uma lavagem simbólica da entrada do terreiro. Esse gesto representa não só um protesto contra a violência e o preconceito, mas também um ato de resistência e uma reafirmação do direito de cada pessoa de praticar sua fé livremente.

A expectativa é que o evento reúna um grande número de pessoas. Estarão presentes não só os povos de terreiro e suas lideranças espirituais, mas também membros de outras comunidades tradicionais, representantes de diversas religiões, movimentos sociais e cidadãos que acreditam na importância de lutar por um mundo mais respeitoso e livre de preconceitos. A união de diferentes setores da sociedade é fundamental para mostrar que o racismo religioso não será tolerado.

"É um momento de reafirmar nossa fé e mostrar que a intolerância não nos calará. Queremos paz e respeito para todas as crenças", disse um dos organizadores, ressaltando o sentimento da comunidade.

É importante lembrar que qualquer denúncia de racismo e intolerância religiosa pode ser feita de forma segura. O site delegaciavirtual.sinesp.gov.br é uma opção, ou as vítimas e testemunhas podem procurar diretamente a Decrin, que fica na Rua Padre Luiz Figueira, no final de linha do bairro Engenho Velho de Brotas, em Salvador, na Bahia. A denúncia é um passo crucial para combater esses crimes e garantir que a justiça seja feita.