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Salvador: Ambulatório oferece atendimento gratuito de dermatologia para peles negras

Iniciativa Negro Atlas, na Bahiana, busca reduzir lacuna na literatura médica e melhorar diagnóstico de doenças de pele em tons escuros
Por Redação
Salvador: Ambulatório oferece atendimento gratuito de dermatologia para peles negras
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Um ambulatório em Salvador, capital com maioria da população negra, oferece atendimento gratuito em dermatologia focado em peles pretas e pardas. A iniciativa, chamada Negro Atlas de Dermatologia, busca preencher uma lacuna histórica na formação médica e na literatura científica, que dificultam o diagnóstico de doenças de pele em tons mais escuros.

O projeto une atendimento médico, produção científica e tecnologia. O objetivo é diminuir o atraso na identificação de enfermidades dermatológicas, que pode levar ao agravamento de lesões e piora do prognóstico dos pacientes.

Segundo o médico Lucas Neiva, fundador e coautor do projeto, o Negro Atlas visa "diminuir a lacuna na literatura médica em relação às enfermidades dermatológicas em pacientes com pele parda e preta, através da produção de uma ferramenta tecnológica que possibilite a identificação e diagnóstico de lesões dermatológicas nesses pacientes".

Impacto do diagnóstico tardio e manifestações em peles negras

A falta de representatividade na literatura médica impacta diretamente a vida dos pacientes. Um dos principais problemas é o atraso na identificação das doenças, conforme Neiva. Ele explica que, com um diagnóstico mais precoce, os pacientes têm melhores prognósticos, visto que a ausência de bases de dados e imagens de qualidade confiáveis contribui para a demora na elucidação dos quadros.

Em peles negras, sinais inflamatórios, que em peles brancas se manifestam com vermelhidão, podem surgir em tons acinzentados, violáceos ou amarronzados. Essa diferença de manifestação pode levar à subnotificação e dificultar o diagnóstico de condições como dermatite atópica, psoríase e lúpus. O lúpus, por exemplo, é mais frequente na população negra, com até quatro vezes mais chances de ocorrência e evolução mais grave, especialmente em mulheres entre 15 e 45 anos.

Atendimento e acesso ao Negro Atlas

O atendimento do Negro Atlas ocorre no Ambulatório de Dermatologia da Escola Bahiana de Medicina e Saúde Pública (EBMSP), no bairro de Brotas, em Salvador. Os pacientes são atendidos gratuitamente, com acesso integrado ao Sistema Único de Saúde (SUS).

Para ser atendido, o paciente deve realizar o cadastro e a marcação de consulta diretamente na unidade. Além do atendimento clínico, o ambulatório oferece acompanhamento psicológico, quando necessário. O acervo com imagens e informações sobre doenças dermatológicas em peles negras e pardas também pode ser acessado gratuitamente pelo site do projeto, servindo como ferramenta educacional para profissionais e pacientes.