A atriz Roberta Rodrigues, conhecida por seus trabalhos na televisão brasileira, abriu o coração e compartilhou uma experiência dolorosa de sua infância. Em uma entrevista emocionante, ela contou que foi vítima de abuso sexual por um amigo de seu pai, uma memória que ficou bloqueada por muitos anos.
Essa lembrança traumática veio à tona para a atriz já na fase adulta, por volta dos seus 30 e poucos anos, durante a pandemia. O gatilho para o resgate dessa parte de sua história foi a notícia da morte do agressor, um momento que desvendou o mistério por trás de seu comportamento em relação a ele na infância.
“Eu também fui abusada quando era criança. E é engraçado que a minha mente só me fez lembrar disso eu já com 30 e poucos anos na pandemia. Lembro que meu pai ou minha mãe ligou, sei lá, e falou alguma coisa assim: ‘Fulano morreu’”, revelou Roberta Rodrigues ao programa ‘De Repente 30+’.
Roberta explicou que, após a notícia da morte do homem, diversas peças se encaixaram em sua mente. Ela finalmente compreendeu o porquê de sua aversão e, por vezes, de suas reações agressivas contra ele quando era pequena. Essa revelação interna foi um divisor de águas em sua vida, permitindo-lhe entender melhor o passado e o impacto duradouro do trauma.
“Lembro que foi aí que entendi porque eu não gostava daquele amigo do meu pai, porque que eu sempre agredia ele (...) Veio tudo na minha mente, eu tinha apagado”, completou a atriz.
Um dos pontos mais sensíveis de seu relato foi a confissão de que, por muito tempo, ela carregou um sentimento de culpa pelo ocorrido. Como muitas vítimas de abuso infantil, Roberta acreditava, ainda que inconscientemente, ter alguma responsabilidade pelo que sofreu. Somente com a maturidade e o entendimento do contexto, ela conseguiu reconhecer que, na época, era apenas uma criança e que a culpa nunca foi dela.
“Eu sempre achei que a culpa fosse minha, mas eu era uma criança”, desabafou Roberta.
A coragem de Roberta Rodrigues em compartilhar sua história é um passo importante para dar voz a muitas outras pessoas que passaram por situações semelhantes e carregam traumas silenciosos. Sua fala joga luz sobre a complexidade da memória e os impactos de longo prazo do abuso, além de reforçar a mensagem de que a culpa nunca deve recair sobre a vítima, especialmente quando se trata de uma criança.
O relato da atriz enfatiza a importância de buscar apoio e de desconstruir a ideia de que o silêncio é a única saída. A dor de um trauma pode ser profunda, mas o processo de cura começa, muitas vezes, com a coragem de reviver a memória e compartilhar a verdade, ajudando a quebrar ciclos de silêncio e vergonha.

