O técnico português Renato Paiva trouxe à tona novos detalhes sobre sua polêmica saída do Esporte Clube Bahia, revelando que a decisão de deixar o comando técnico não veio apenas de questões de campo, mas de um ambiente de forte desgaste interno e, mais grave, de problemas que atingiram sua família. A declaração do treinador acendeu o debate sobre os bastidores da gestão do futebol, especialmente em clubes com novas estruturas como a SAF.
Paiva apontou diretamente para divergências com o setor de Saúde e Performance do clube, que na época era liderado pela fisioterapeuta Natália Bittencourt. Segundo o ex-treinador, essa área tinha uma autonomia considerada muito grande dentro da estrutura do Grupo City, responsável pela gestão da Sociedade Anônima do Futebol (SAF) do clube. Essa independência do departamento, que deveria apoiar, acabou gerando atritos constantes com a comissão técnica, impactando diretamente o dia a dia e o planejamento do time.
Um dos pontos cruciais do desentendimento foi em um período marcado por uma intensa sequência de jogos e, consequentemente, por um grande número de lesões no elenco. O preparador físico da equipe de Paiva, por exemplo, não escondia sua insatisfação com as supostas "interferências" no planejamento de treinos e na recuperação dos atletas. Essa situação, de acordo com Paiva, aumentou muito o clima de tensão e desgaste no clube, tornando a rotina de trabalho insustentável.
Além dos atritos profissionais, Renato Paiva desabafou sobre as dificuldades que sua família enfrentou enquanto morava em Salvador, na Bahia. Ele revelou um episódio particularmente chocante: sua filha chegou a ser alvo de ameaças nas redes sociais. Essa situação pessoal, somada ao cenário conturbado dentro do clube, contribuiu decisivamente para ampliar a pressão e o desgaste emocional que o treinador já vinha sentindo, culminando na sua decisão de pedir desligamento do cargo.
O português Renato Paiva foi um nome de peso para o Bahia, sendo o primeiro técnico a assumir o comando da equipe após a chegada do Grupo City à gestão da SAF do clube. Durante sua passagem, ele esteve à frente do time em 49 partidas. Depois de deixar o Tricolor de Aço, Paiva teve passagens rápidas por outros clubes do cenário brasileiro, como Botafogo e Fortaleza, e atualmente se encontra sem clube.

