O último relatório sobre a qualidade da água das praias, divulgado pelo Instituto do Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Inema), deixou muitos soteropolitanos e turistas com a pulga atrás da orelha. A notícia é que quase todas as praias de Salvador, na Bahia, foram classificadas como impróprias para o banho, com exceção da praia de Cantagalo, na Cidade Baixa.
Mas calma! Antes de desistir de um mergulho no mar, é importante entender que o diagnóstico de "impropriedade" carrega uma explicação técnica que, se for ignorada, pode distorcer completamente o que você imagina sobre a real situação das praias hoje.
Como o Inema avalia a água das praias?
O ponto chave para entender é que o selo de "imprópria" dado pelo Inema não significa, necessariamente, que a água está contaminada neste exato momento. A forma de análise do instituto segue uma regra antiga, a Resolução Conama nº 274/2000, que se baseia em um histórico de cinco semanas seguidas.
Para uma praia ser considerada "própria", ela precisa mostrar baixos níveis de bactérias fecais (Escherichia coli) em pelo menos 80% das amostras coletadas nesse período de mais de um mês. Ou seja, a avaliação não é um "raio-x" do dia, mas um "filme" dos últimos 35 dias.
A influência da chuva: um fator crucial
É aqui que a história fica mais clara: se Salvador enfrentou chuvas fortes há três ou quatro semanas – algo que naturalmente leva sujeira e poluição para o mar através das galerias de escoamento da água da chuva – a praia pode continuar classificada como "imprópria" no relatório atual. Isso acontece mesmo que, no momento, o sol esteja brilhando e a água pareça cristalina.
O próprio Inema avisa que, por causa da sujeira que a chuva arrasta, é melhor não entrar no mar em dias chuvosos e nas 24 horas seguintes. Como o boletim "olha para trás" (as últimas cinco semanas), ele acaba por penalizar praias que já estão limpas novamente, mas que ainda carregam o "peso" estatístico de uma coleta ruim feita durante um temporal passado.
A assessoria de imprensa do Inema, inclusive, explicou ao Portal A TARDE que é um erro técnico dizer que "as praias de Salvador estão impróprias". O certo seria dizer que elas "foram afetadas por eventos de poluição pontuais ao longo do último mês", indicando que a situação pode ser passageira.
O que o banhista deve observar?
A qualidade da água em uma cidade litorânea como Salvador muda o tempo todo. A metodologia do Inema é muito importante para acompanhar a situação a longo prazo, mas não é a melhor forma de saber se a água está boa para o banho em um dia de sol, logo depois de um período seco.
Especialistas recomendam que o bom senso ainda é a melhor medida:
- Observe a clareza da água.
- Veja se há lixo flutuante por perto.
- Principalmente, evite entrar no mar logo depois de chuvas fortes.

