Polícia

Policiais civis de São Paulo usam tornozeleira por corrupção

Dois investigadores da Polícia Civil de SP, Tânia Nastri e Carlos Huerta, foram afastados de suas funções e passaram a usar tornozeleira eletrônica em operação contra corrupção e tráfico de influência, revelando conexão com crime organizado e lavagem de dinheiro.
Por Redação
Policiais civis de São Paulo usam tornozeleira por corrupção

Policiais suspeitos de corrupção agora são vigiados por tornozeleira -

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Uma operação importante envolvendo o Gaeco (braço do Ministério Público focado no combate ao crime organizado) e a Corregedoria da Polícia Civil de São Paulo sacudiu a corporação na última quinta-feira, dia 12. O alvo? Um esquema de corrupção e tráfico de influência que se espalhou dentro da própria Polícia Civil.

O que mais chamou atenção foi o destino de dois investigadores da Polícia Civil, Tânia Aparecida Nastri e Carlos Huerta. Eles não apenas foram afastados de suas funções, mas também passaram por algo inédito: começaram a ser monitorados por tornozeleira eletrônica. Além disso, a justiça determinou busca e apreensão em vários locais ligados a eles.

Esquema de corrupção e lavagem de dinheiro

A investigação aponta que Tânia e Carlos faziam parte de uma organização criminosa. Os crimes incluem lavagem de dinheiro, corrupção e violação de sigilo profissional, que é quando alguém usa informações confidenciais do trabalho de forma indevida. Os promotores explicaram que os suspeitos usavam uma suposta proximidade com a "alta cúpula" da Polícia Civil de São Paulo para interferir em investigações internas. Pessoas importantes, como o atual secretário de Segurança Pública, Nico Gonçalves, e o deputado estadual Delegado Olim, teriam sido "vítimas" dessa influência.

Conexões perigosas com o crime organizado

A situação começou a esquentar para Tânia e Huerta depois que outros dois policiais, conhecidos como ‘Xixo’ e ‘Bolsonaro’, foram presos em 2024. Mensagens de WhatsApp que a perícia conseguiu recuperar mostraram que o grupo agia para barrar investigações contra integrantes de facções criminosas. Para isso, recebiam propinas muito altas, que chegavam a impressionantes R$ 800 mil.

Um dos métodos usados por Carlos Huerta era bastante ousado. Ele é suspeito de invadir sistemas restritos da própria Polícia Civil para conseguir dados de delegados da Corregedoria. Esses delegados eram vistos como "obstáculos" para os esquemas. Com essas informações em mãos, o grupo tentava influenciar para parar processos disciplinares e apurações sobre o aumento do patrimônio dos envolvidos.

Presentes e dinheiro em espécie

O Gaeco revelou detalhes importantes sobre como o esquema funcionava:

  • Eles faziam encontros secretos com policiais que estavam sendo investigados, longe dos trâmites normais da lei.
  • Pediam "presentes" em dinheiro e até prometiam passagens para viagens internacionais.
  • Na casa de Tânia, os agentes encontraram US$ 10 mil e R$ 20 mil em dinheiro, além de notebooks e celulares.

Restrições judiciais

As medidas contra os investigadores são severas. Além do uso da tornozeleira eletrônica, eles tiveram seus passaportes e armas apreendidos. Também estão proibidos de sair de suas cidades de residência por mais de cinco dias sem uma autorização da justiça. As buscas foram feitas em locais importantes, como a sede do DOPE (Departamento de Operações Policiais Estratégicas) e o 13º Distrito Policial, na Casa Verde.

Até o momento, a defesa dos investigadores não se manifestou publicamente. A Polícia Civil de São Paulo, por sua vez, garantiu que está colaborando com todas as investigações para "expurgar" – ou seja, eliminar – as condutas que prejudicam a boa imagem da corporação.