Polícia

Plantão de Direitos Humanos registra 437 ocorrências no Carnaval de Salvador

O Plantão Integrado dos Direitos Humanos registrou 437 incidentes durante o Carnaval 2026 em Salvador, revelando desafios em crimes, violações e vulnerabilidade.
Por Redação
Plantão de Direitos Humanos registra 437 ocorrências no Carnaval de Salvador

Trabalho infantil lidera as ocorrências -

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O Plantão Integrado dos Direitos Humanos registrou um total de 437 incidentes durante o Carnaval de 2026 em Salvador, na Bahia. Os dados, que foram divulgados nesta quarta-feira, dia 18, pela Secretaria de Justiça e Direitos Humanos (SJDH), abrangem o período de 12 a 17 de fevereiro e mostram o esforço contínuo para garantir a segurança e os direitos dos foliões.

A SJDH coordena o que é considerado o maior serviço estadual de proteção de direitos em festas populares do país, trabalhando em parceria com a organização Pontos Diversos. Apesar dos números já apresentados, o balanço oficial completo será finalizado em até 30 dias, oferecendo uma visão ainda mais detalhada das ações e desafios enfrentados durante a festa.

Vulnerabilidades e Crimes em Destaque

Do total de 437 ocorrências, a análise preliminar revelou uma divisão clara dos problemas. Metade dos casos (50%) foi classificada como possível crime, indicando a necessidade de investigação e ação policial. Outros 30% se referiam a violações de direitos fundamentais, enquanto 20% eram situações de vulnerabilidade social, demandando apoio e assistência imediata.

A maior concentração desses registros aconteceu no famoso circuito Barra/Ondina, que concentrou 52% de todas as ocorrências monitoradas pelo Plantão de Direitos Humanos.

Crianças e Adolescentes: Foco da Proteção

Entre as situações mais preocupantes e recorrentes, o trabalho infantil se destacou, com 118 registros. A maioria dessas ocorrências envolvia crianças negras que acompanhavam vendedores ambulantes, evidenciando uma realidade complexa de vulnerabilidade social durante o período festivo. Além disso, foram identificadas 56 situações de crianças e adolescentes em outros contextos de vulnerabilidade, reforçando a importância do programa “Salvador Acolhe”.

Este programa, aliás, teve um recorde de 601 crianças acolhidas e distribuiu mais de 22 mil pulseiras de identificação para o público infantil, uma medida simples, mas eficaz para a segurança dos pequenos foliões.

Violência e Intolerância

No campo dos crimes registrados, os números também são alarmantes. Houve 58 ocorrências de violência física e 27 casos de crimes sexuais. Infelizmente, as mulheres negras foram as principais vítimas nesses tipos de agressão, um dado que reforça a urgência de políticas de combate à violência de gênero e raça. Além disso, o Plantão identificou 29 casos de trabalho indecente e episódios de racismo, LGBTfobia e violência institucional.

"Os dados preliminares reforçam a importância de olharmos para além do atendimento emergencial. Precisamos orientar ações estruturantes ao longo do ano, consolidando um modelo de Carnaval que une celebração, proteção de direitos e formulação de políticas públicas", afirmou um representante da SJDH, sublinhando a visão de longo prazo do trabalho.

Ação Integrada: O Plantão em Campo

Para dar conta de toda essa demanda, o Plantão Integrado dos Direitos Humanos mobilizou uma grande estrutura. Mais de 40 instituições e cerca de 200 profissionais trabalharam incansavelmente, atuando tanto em postos fixos espalhados pelos circuitos da festa quanto em equipes volantes, que se deslocavam para atender as emergências.

Entre as iniciativas que merecem destaque estão:

  • Patrulha Inclusiva: Um serviço fundamental para garantir que pessoas com deficiência tivessem seus direitos respeitados e acesso facilitado à festa.
  • Identificação de pessoas surdas: Mais de 100 atendimentos foram realizados, mostrando um esforço para incluir todos os foliões.
  • Atuação do Procon: O órgão de defesa do consumidor realizou 43 fiscalizações durante o Carnaval, garantindo que os direitos dos consumidores também fossem protegidos em meio à folia.

A SJDH enfatiza que o trabalho do Plantão vai muito além do atendimento pontual de emergências. Ele serve como um termômetro para identificar problemas e orientar a criação de políticas públicas que possam ser implementadas durante todo o ano, construindo um Carnaval que seja não apenas de festa, mas também de cidadania e respeito aos direitos de todos.