A jornalista espanhola Pilar del Río, viúva do escritor português José Saramago, afirmou que o autor não se surpreenderia com a polarização e os extremismos do mundo atual. A declaração foi feita durante a Bienal do Livro de Salvador, na Bahia.
Segundo Pilar, a obra de Saramago, especialmente "Ensaio sobre a Cegueira", permanece extremamente relevante e dialoga diretamente com os desafios contemporâneos. Ela ressaltou que a "cegueira moral" descrita pelo Nobel de Literatura já estava presente em seu pensamento.
De acordo com Pilar del Río, os problemas atuais, como a ascensão do fascismo, o desprezo por imigrantes e a construção de armas, já haviam sido identificados por Saramago. "Acho que nenhuma coisa poderia indignar mais a Saramago do que o que já viu e deixou escrito", disse.
A atualidade de Saramago no Brasil
Pilar del Río destacou a forte conexão dos leitores brasileiros com a obra de José Saramago. Ela percebe a simpatia e o abraço do público no Brasil, onde os livros do autor continuam sendo reeditados e lidos por novas gerações.
A viúva do escritor, que preside a Fundação José Saramago, explicou que o autor não era um profeta, mas uma pessoa com intelecto capaz de antecipar o "momento caótico" vivido hoje. Sua atuação na fundação é guiada por princípios de cultura, pluralidade e direitos humanos, buscando "abrir olhos" para os extremismos.
A Fundação José Saramago segue promovendo os ideais do escritor, mantendo viva a discussão sobre os temas que ele abordou em sua vasta obra. Pilar del Río continua a defender pautas sociais e feministas, inseparáveis de sua trajetória pessoal.

