Polícia

Passaporte de Eliza Samudio é achado em Portugal e reacende caso de 2010

Documento de Eliza Samudio, assassinada em 2010, foi encontrado em hotel de Portugal, 14 anos após o crime. Caso, com ex-goleiro Bruno, é tema de documentário.
Por Redação
Passaporte de Eliza Samudio é achado em Portugal e reacende caso de 2010

Eliza Samudio foi assassinada em 2010 -

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Catorze anos depois que o Brasil parou para acompanhar um dos crimes mais chocantes da história recente, o caso de Eliza Samudio ganha um novo capítulo. Um passaporte antigo em nome da mulher foi encontrado em um apartamento em Portugal na última sexta-feira, dia 2 de fevereiro, trazendo de volta à tona as perguntas que ainda rondam a sua trágica morte.

Eliza Samudio, que tinha 25 anos quando desapareceu em 4 de junho de 2010, foi dada como morta após o ex-goleiro Bruno Fernandes, então estrela do Flamengo, e outros envolvidos assumirem o assassinato. A descoberta do documento em solo europeu, com registro de entrada em Portugal em 2007, mas sem anotação de saída, causou movimentação no Consulado-Geral do Brasil em Lisboa, que já comunicou o Itamaraty em Brasília para definir os próximos passos.

O Consulado-Geral do Brasil em Lisboa confirmou o recebimento do passaporte e informou sobre a consulta oficial ao Itamaraty para saber qual destino dar ao documento. As autoridades brasileiras, no entanto, ainda não divulgaram detalhes sobre o que a análise desse passaporte pode revelar.

O crime que chocou o país

O desaparecimento e a morte de Eliza Samudio, em 2010, mobilizaram a atenção nacional, especialmente pela participação de Bruno Fernandes. Ele foi condenado em março de 2013 a 20 anos e nove meses de prisão por ter planejado o assassinato de Eliza, além de sequestrar e manter em cárcere privado o filho dos dois, Bruninho.

A relação entre Eliza e Bruno começou em 2009. Em maio do mesmo ano, a modelo descobriu que estava grávida do goleiro. Além de Bruno, seu melhor amigo, Luiz Henrique Ferreira Romão, conhecido como Macarrão, e o ex-policial militar Marcos Aparecido dos Santos, o Bola, foram apontados como envolvidos no crime, gerando grande repercussão pela crueldade dos fatos.

O mistério do corpo nunca encontrado

Mesmo com a condenação de Bruno e seus comparsas – que confessaram o crime –, uma das questões mais dolorosas e que ainda permanece sem resposta é o paradeiro do corpo de Eliza. Catorze anos se passaram, e os restos mortais da jovem nunca foram encontrados, deixando um vazio para a família.

O caso, complexo, desafiou as investigações, mas a justiça conseguiu condenar os responsáveis. A juíza Marixa Fabiane Lopes Rodrigues, que cuidou da investigação, explicou a base legal para a condenação mesmo sem a prova material do corpo:

“Mesmo não havendo corpo, a materialidade do crime pode ser comprovada de maneira indireta, com provas periciais e provas testemunhais.”

A mãe de Eliza, Sonia, expressa a dor dessa ausência ao ler o atestado de óbito da filha, que registra a terrível realidade:

“O corpo está insepulto, pois ocultado o cadáver.”

Documentário reacende a memória

Para aqueles que desejam entender mais a fundo os detalhes do caso, o documentário "A Vítima Invisível: O Caso Eliza Samudio", lançado em 2024 pela Netflix, trouxe novas perspectivas e desmembrou os fatos, reacendendo a memória do crime e das suas consequências. A produção revisita o drama, mostrando como a falta do corpo da vítima adiciona uma camada de angústia a uma história já marcada pela violência.

O encontro do passaporte em Portugal, somado ao recente documentário, garante que o caso de Eliza Samudio continue sendo discutido e lembrado, mantendo viva a busca por todas as respostas.