O Nubank, gigante dos serviços financeiros digitais, deu um passo enorme na última quinta-feira (29) ao receber uma autorização inicial para começar a operar como banco nos Estados Unidos. Essa aprovação, que abre as portas para a expansão em solo americano, acontece justamente quando a empresa é mencionada em uma investigação judicial sobre fraudes ligadas ao Banco Master, um caso que movimenta mais de R$ 11 bilhões.
A luz verde veio do Escritório do Controlador da Moeda (OCC), uma importante agência reguladora americana. Com essa permissão, o Nubank poderá aumentar bastante sua presença e a oferta de produtos nos EUA, assim como já faz em outros países da América Latina, como Brasil, México e Colômbia. Se a aprovação final for concedida, o banco digital terá uma licença nacional para operar, facilitando a criação de contas de depósito, cartões de crédito, empréstimos e até mesmo a custódia de ativos digitais.
Próximos passos e liderança da operação
A expansão do Nubank nos EUA será capitaneada por ninguém menos que a cofundadora Cristina Junqueira, que se mudou para o país para comandar o crescimento e desenvolvimento a longo prazo. Além dela, Roberto Campos Neto, que foi presidente do Banco Central do Brasil, assumirá o posto de Presidente do Conselho de Administração da nova operação. Essa equipe de peso demonstra a seriedade e o foco do Nubank neste novo mercado.
Para a autorização ser completa, o Nubank ainda precisa cumprir algumas condições do OCC e receber o aval de outras importantes instituições americanas, como a Corporação Federal Asseguradora de Depósitos (FDIC) e o Federal Reserve, o banco central dos Estados Unidos. A empresa tem um prazo de até 12 meses para capitalizar a nova instituição e 18 meses para abrir as portas, conforme exigido pelas regras.
“Esta aprovação não é apenas uma expansão da nossa operação; é uma oportunidade de provar nossa tese de que um modelo digital-first, centrado no cliente, é o futuro dos serviços financeiros globais. Embora continuemos totalmente focados em nossos mercados principais no Brasil, México e Colômbia, este passo nos permite construir a próxima geração bancária nos Estados Unidos.”
— David Vélez, fundador e CEO da Nu Holdings
Além dos EUA, o Nubank também está de olho no crescimento em outras regiões. No México, a subsidiária Nu México aguarda a aprovação final para começar a operar como instituição bancária. No Brasil, onde o Nubank já funciona como uma instituição financeira totalmente regulamentada desde 2016, a empresa anunciou a intenção de conseguir uma licença bancária completa até 2026.
Nubank na mira da Justiça em caso Master
Apesar da boa notícia nos EUA, o Nubank, junto com outras empresas como XP e BTG Pactual, está sendo investigado no Brasil. Uma ação coletiva, protocolada pela Associação Brasileira de Defesa do Consumidor e do Trabalhador no Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ), questiona a forma como os Certificados de Depósito Bancário (CDBs) do Banco Master foram vendidos antes da sua liquidação. A denúncia alega que as plataformas de investimento teriam usado o Fundo Garantidor de Créditos (FGC) como principal chamariz, o que pode ter sido uma falha na informação ao consumidor.
O Nubank, por sua vez, garantiu em nota que parou de oferecer novos CDBs do Banco Master em 2024. A empresa também reforçou que não trabalha com assessores de investimento e que as decisões de aplicação dos clientes são tomadas de forma autônoma pelo aplicativo. Agora, o MPRJ vai analisar tudo para ver se houve alguma irregularidade e decidir se abre um inquérito para investigar a fundo o caso.

