Os nove estados do Nordeste estão se articulando para estabelecer um limite de gastos com a contratação de artistas para as festas de São João. A ideia principal é que as prefeituras não paguem valores exorbitantes por cachês, garantindo um uso mais equilibrado do dinheiro público nos festejos juninos.
A iniciativa ganha força a partir da Bahia, onde prefeitos já definiram um teto de R$ 700 mil para os shows. Wilson Cardoso, prefeito de Andaraí e presidente da União dos Municípios da Bahia (UPB), é o principal porta-voz dessa mobilização regional. Ele tem conversado com líderes de associações municipalistas de outros estados do Nordeste, e o retorno, segundo ele, tem sido bastante positivo para que a medida se espalhe pela região.
Bahia dá o primeiro passo com limite de R$ 700 mil
Na última quarta-feira, dia 4 de outubro, uma reunião importante aconteceu na sede da UPB, em Salvador. Prefeitos de 12 municípios baianos que organizam as maiores festas de São João se encontraram e chegaram a um consenso: um valor máximo para os cachês dos artistas. O limite sugerido foi de R$ 700 mil.
“Tivemos uma reunião muito boa com os 12 municípios baianos que fazem as maiores festas de São João e todo mundo chegou ao consenso de fazer um valor limite. Estamos conversando com todos os presidentes do Nordeste, e todo mundo está fechando. Se for tabelado o valor máximo, todo o Nordeste vai acompanhar”, explicou Wilson Cardoso.
Essa medida surge em um cenário de crescentes reclamações por parte dos gestores municipais sobre os altos valores cobrados pelos cantores nos últimos anos. Muitos prefeitos se sentem pressionados a pagar grandes quantias, o que acaba comprometendo o orçamento de outras áreas importantes.
Discussões sobre o valor e encontro com forrozeiros
Ainda existe um ponto de debate: o valor do teto. Embora a Bahia tenha proposto R$ 700 mil, alguns prefeitos ainda consideram essa quantia alta demais. A expectativa é que uma decisão final sobre o valor seja anunciada em breve, talvez já nesta sexta-feira, dia 6 de outubro, como previsto inicialmente.
Nesta quinta-feira, dia 5 de outubro, Wilson Cardoso também se encontrou com mais de 30 representantes de forrozeiros da Bahia. O objetivo era discutir o tema e buscar um entendimento que seja justo para todos os lados. O presidente da UPB ressaltou a importância de controlar a escalada dos preços, citando exemplos de como os cachês podem aumentar drasticamente em pouco tempo.
“Não pode a prefeitura investir R$ 200 mil em um artista e, em 2026, esse valor saltar para R$ 1 milhão”, argumentou Wilson Cardoso, mostrando a preocupação com a sustentabilidade financeira dos festejos juninos.
Depois de definir o teto e consolidar o acordo entre os municípios, os prefeitos planejam levar a proposta ao Ministério Público da Bahia (MPBA). O MPBA é o órgão responsável por fiscalizar a aplicação dos recursos públicos, incluindo os gastos com cachês de artistas em festas juninas, o que dará mais segurança e transparência ao processo.

