Morro do Chapéu, na Chapada Diamantina, desponta como um novo polo vitivinícola na Bahia, com a produção de vinhos finos que já conquistaram premiações nacionais e internacionais. A região se destaca pelo seu 'terroir', que apresenta características climáticas e de solo semelhantes às encontradas em países do Mediterrâneo, reconhecidos pela excelência no cultivo de uvas.
Em menos de duas décadas, desde as primeiras experiências com o cultivo de uvas viníferas, o município viu o setor crescer significativamente. Atualmente, cinco vinícolas estão em funcionamento, e outras cinco estão em diferentes fases de implantação, impulsionando a economia local.
Segundo dados do IBGE, Morro do Chapéu registrou um PIB de R$ 1,5 bilhão em 2023, ocupando a 39ª posição no estado. Cerca de 50% de seu movimento econômico está baseado no agronegócio, com a vitivinicultura ganhando cada vez mais relevância.
Impacto econômico e turístico na Chapada Diamantina
O desenvolvimento da vitivinicultura em Morro do Chapéu não se limita à produção agrícola. O setor gera um impacto significativo na economia regional, fomentando o enoturismo e outras atividades correlatas. De acordo com Edirlan Sousa, gerente regional do Sebrae/Irecê, a atividade combina produção de valor agregado com experiências no território, influenciando o turismo, a gastronomia, a hospedagem, o comércio e os serviços.
Um exemplo é a Rota Sensorial, que oferece experiências com vinhos, queijos, embutidos, óleos essenciais e produtos orgânicos. Além do enoturismo, Morro do Chapéu já é conhecido por seus roteiros de ecoturismo, com cachoeiras como a do Ferro Doido e grutas como a dos Brejões, que complementam a oferta turística da região.
A história da vitivinicultura local remonta a 2008, com o empreendedor Jairo Vaz, que iniciou a implantação da vinícola Vaz. Em 2010, a Embrapa Semiárido, em parceria com a Seagri e produtores, estabeleceu um campo experimental na zona rural do município. Assis Pinheiro Filho, diretor de Desenvolvimento da Agricultura da Seagri, informou que a secretaria atua desde então em pesquisas, articulação com investidores e apoio a eventos de divulgação, focando na agroindustrialização e no fortalecimento do enoturismo.
Vinícolas como a Santa Maria, das irmãs Laura Oliveira e Mayra Nunes, e a Reconvexo, dos amigos João Carlos, Rafael Bezerra e Murilo Ribeiro, são exemplos do sucesso local. A Santa Maria produz entre cinco mil e sete mil garrafas anuais de sete rótulos fixos, além de outros produtos, e recebe entre 700 e 900 visitantes por mês. Já a Reconvexo, que teve seus primeiros resultados em 2021, coleciona 19 medalhas em premiações nacionais e internacionais.
Os vinhos de Morro do Chapéu se destacaram na Grande Prova Vinhos do Brasil 2025, conquistando cinco medalhas de ouro e uma de prata. Entre os premiados estão o Ferro Doido Malbec da Vinícola Vaz e o Reconvexo Reserva Syrah da Vinícola Reconvexo, ambos com 92 pontos. A variação térmica da região, com calor durante o dia e frio à noite, é fundamental para a preservação da acidez e o desenvolvimento de aromas complexos nos vinhos, e há um movimento em andamento para a conquista do selo de indicação geográfica para os produtos locais.

