Dois militares do Exército foram condenados a ficar presos por furtar uma grande quantidade de carnes nobres do quartel onde trabalhavam, no Rio de Janeiro. Um aspirante da Infantaria e um cabo foram considerados culpados por desviar 36 caixas de picanha, contrafilé e alcatra, gerando um prejuízo estimado em mais de R$ 22 mil para o Exército.
A decisão final, que manteve as condenações, foi proferida pelo Superior Tribunal Militar (STM) em 12 de fevereiro de 2026, após rejeitar os recursos de apelação apresentados pelas defesas dos acusados.
O Plano e o Furto Dentro do Quartel
O crime aconteceu em 13 de janeiro de 2019, dentro do 1º Batalhão de Infantaria Motorizado (Escola). As investigações revelaram que o aspirante, que estava de serviço como Oficial de Dia – uma função que o deixava responsável pela guarnição armada do local – aproveitou-se da posição para conseguir acessar a câmara frigorífica durante a noite, quando há menos movimento de militares.
As carnes roubadas incluíam:
- 10 caixas de picanha;
- 23 caixas de contrafilé;
- 3 caixas de alcatra.
Depois de pegar os produtos, as carnes foram carregadas nos veículos dos dois acusados. A denúncia detalha que um soldado chegou a ser obrigado a participar da ação, dirigindo um dos carros sob a ameaça de ser incluído na chamada “rota”, um processo que levaria ao seu desligamento do serviço militar.
As caixas de carne foram levadas para um depósito de bebidas na comunidade da Vila Kennedy, na Zona Oeste do Rio de Janeiro, local onde o aspirante morava. Isso indicou que o furto foi premeditado e que os produtos teriam um destino comercial.
A Tentativa de Acerto e a Gravação que Virou Prova
No dia seguinte ao furto, o aspirante e o cabo tentaram convencer outros soldados a mentir durante as investigações. Eles instruíram os subordinados a dizerem que não tinham visto nada além de dois carros estacionados no pelotão de transporte. Além disso, teriam sugerido que a culpa do furto fosse jogada em um sargento e em outro cabo, desviando a atenção dos verdadeiros responsáveis.
Contudo, durante essa reunião, um dos soldados gravou toda a conversa. Esse áudio crucial foi entregue a um sargento, transformando-se em uma prova fundamental para o processo e reforçando as acusações contra o aspirante e o cabo.
Prisão, Julgamento e Condenações Finais
Em agosto de 2019, o Ministério Público Militar (MPM) pediu a prisão preventiva dos militares, alegando que havia risco de novas coações e que a atitude deles afrontava os princípios de hierarquia e disciplina, que são a base da vida militar.
Em fevereiro de 2025, o Conselho Permanente de Justiça da Justiça Militar da União, que funciona no Rio de Janeiro, condenou os réus pelo crime de peculato-furto. Esse crime acontece quando um funcionário público se aproveita do cargo para furtar bens. As defesas tentaram recorrer, alegando insuficiência de provas e questionando o tempo da pena, mas o Superior Tribunal Militar manteve a decisão integralmente.
As penas definidas foram:
- Aspirante: Cinco anos e quatro meses de prisão, em regime semiaberto.
- Cabo: Três anos de prisão, em regime aberto.
O caso destaca a seriedade com que a Justiça Militar trata infrações que envolvem desvio de conduta e quebra de confiança dentro das Forças Armadas, mesmo quando se trata de bens materiais. O furto de recursos, mesmo que alimentos, representa uma afronta à disciplina e à imagem da instituição.

