O médico Carlos Alberto Azevedo Silva Filho, de 44 anos, que foi preso recentemente acusado de matar a tiros dois colegas em Barueri, na Grande São Paulo, tinha um histórico preocupante: ele já havia sido detido e, depois, liberado pela Justiça em um caso anterior. Essa informação chama a atenção e levanta questionamentos sobre a avaliação de risco do profissional.
A situação mais grave aconteceu na última sexta-feira, dia 16 de fevereiro. Carlos Alberto é suspeito de tirar a vida de Luís Roberto Pellegrini Gomes, de 43 anos, e Vinicius dos Santos Oliveira, de 35, em frente a um restaurante na Avenida Copacabana, no bairro Alphaville Plus. Segundo a polícia, uma discussão começou dentro do estabelecimento, onde Carlos Alberto chegou a ser agredido. Ele saiu do local, mas retornou minutos depois já armado.
Com a arma em mãos, o médico atirou contra os dois colegas. Vinicius foi atingido por dois tiros e, apesar de ter sido socorrido, não resistiu aos ferimentos e morreu. Luís foi alvejado por oito disparos em várias partes do corpo e também morreu após receber atendimento médico. O suspeito foi preso em flagrante e agora está à disposição da Justiça para investigação da Polícia Civil de São Paulo.
Histórico anterior: de agressão a injúria racial
O que torna o caso ainda mais complexo é o histórico de Carlos Alberto. A decisão judicial que revogou a prisão preventiva dele em um processo de 2025, relacionado a agressão e injúria racial em Sergipe, é a prova. O caso anterior aconteceu em um hotel de Aracaju, em Sergipe.
Naquela época, o médico foi acusado de agredir funcionários, usar ofensas racistas e também danificar o patrimônio do hotel. A Polícia Militar de Sergipe o prendeu em flagrante e ele foi levado para o Complexo Penitenciário Antônio Jacinto Filho (Compajaf).
Liberdade "por não oferecer risco"
Cerca de um mês depois da prisão em Sergipe, a Justiça decidiu liberar Carlos Alberto. O entendimento foi de que a liberdade do médico "não representaria risco à ordem pública". Ele recebeu medidas cautelares, como a necessidade de pagar uma fiança equivalente a dez salários mínimos, comparecer mensalmente ao juízo e não poder sair da cidade sem autorização da Justiça.
Seis meses após essa decisão de sua liberdade condicional em Sergipe, o médico Carlos Alberto Azevedo Silva Filho voltou a ser detido. Dessa vez, por um crime ainda mais grave: o duplo homicídio em Barueri. A repetição dos fatos levanta questões sobre as avaliações de risco e as consequências de decisões judiciais anteriores.
A polícia segue investigando o caso para entender todos os detalhes que levaram ao trágico fim dos dois médicos em Barueri e o que motivou a escalada de violência do suspeito.

