Mais de 380 mil mulheres perderam o emprego no Brasil após o retorno da licença-maternidade nos últimos cinco anos. Os dados, divulgados pela Secretaria de Inspeção do Trabalho (SIT), vinculada ao Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), acendem um alerta sobre a estabilidade profissional das mães.
O levantamento considerou as demissões ocorridas em até dois anos após o término da licença. Entre 2020 e 2025, foram registradas 383.737 dispensas sem justa causa, além de 265.515 pedidos de demissão por parte das trabalhadoras.
Segundo o MTE, o período também contabilizou 13.544 distratos, que são rescisões por comum acordo. Outros 50.545 desligamentos ocorreram em empresas que participam do Programa Empresa Cidadã.
Queda na adesão à licença estendida
Além da perda de emprego por mulheres, outro dado que preocupa é a redução no número de empresas que oferecem a licença-maternidade estendida. O Programa Empresa Cidadã permite que as companhias ampliem o período de licença de 120 para 180 dias.
De acordo com um levantamento do portal g1, baseado em dados da Receita Federal, o número de empresas participantes do programa caiu de 30.545 em 2024 para 8.862 em 2025. Esta redução representa cerca de 71% na adesão.
A Receita Federal informou que a queda ocorreu após uma auditoria realizada em 2024. A fiscalização resultou na exclusão de 22.207 empresas do programa por irregularidades cadastrais ou incompatibilidade com o regime tributário exigido para acesso ao benefício fiscal.
Os dados também mostram uma diminuição nas licenças superiores a 120 dias. Até o primeiro trimestre de 2026, os afastamentos estendidos representaram 8% do total, percentual menor que os 10% registrados em 2024 e 2025, e os 11% de 2023.

