A Justiça de Minas Gerais determinou a venda do Estádio Salles Oliveira, em Juiz de Fora, para o pagamento de dívidas do Tupi. A decisão faz parte do processo de recuperação judicial do clube, aprovado no fim de março.
O Tupi, tradicional equipe do interior mineiro, enfrenta o momento mais delicado de sua história, precisando se desfazer de um de seus maiores patrimônios para tentar sobreviver financeiramente. A venda do estádio busca quitar parte de um débito que ultrapassa R$ 24 milhões.
Segundo informações do processo, o Estádio Salles Oliveira, com quase um século de história, está avaliado em cerca de R$ 12 milhões. Este valor, no entanto, cobre apenas metade da dívida total do clube.
Contexto da crise e a venda do estádio
A venda do estádio será realizada por meio de uma Unidade Produtiva Isolada (UPI), um mecanismo jurídico que permite negociar bens sem comprometer garantias aos credores. O processo não será por leilão, mas sim uma venda aberta com pagamento parcelado, dependendo de homologação judicial.
Apesar de um passado de glórias, incluindo o título da Série D em 2011 e o acesso à Série B em 2015, o Tupi acumulava dificuldades financeiras há anos. Salários atrasados e dívidas trabalhistas contribuíram para a fragilização da gestão.
A partir de 2016, o clube sofreu rebaixamentos sucessivos, perdendo o calendário nacional e caindo para a terceira divisão estadual. Uma tentativa de tombamento do estádio como patrimônio cultural, proposta por um torcedor, foi negada pelo Conselho Municipal de Preservação do Patrimônio Cultural (Comppac).
Futuro do Tupi e a esperança na SAF
A diretoria do Tupi se posicionou contra o tombamento, alegando que a medida facilitaria a busca por soluções financeiras. A construtora Rezende-Roriz, interessada no terreno, propôs a criação de um memorial do clube, mas o estádio seguia sob risco de demolição.
A esperança do clube reside agora na criação da UPI Futebol, que pode viabilizar a venda da Sociedade Anônima do Futebol (SAF) do Tupi. A empresa Magnitude Participações Ltda. é a única interessada publicamente na aquisição até o momento.
A ideia é organizar as dívidas, atrair investimento privado e reconstruir a estrutura esportiva para que o Tupi possa retomar a competitividade, mesmo após a venda forçada do estádio, que impacta não só os jogos como mandante, mas também a memória do clube.

