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Idosos com autismo: número surpreende e cresce no Brasil

O número de idosos brasileiros diagnosticados com Transtorno do Espectro Autista (TEA) está em crescimento, revelando um cenário que exige atenção e entendimento.
Por Redação
Idosos com autismo: número surpreende e cresce no Brasil

O diagnotico tardio pode prejudicar o desenvolvimento dos idosos -

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O Brasil está observando um aumento notável no diagnóstico de Transtorno do Espectro Autista (TEA) entre pessoas com mais de 60 anos. Esse crescimento surpreendente levanta novas discussões sobre a saúde e o bem-estar de uma parcela da população que, por muito tempo, pode ter tido suas características não identificadas ou confundidas com outras condições do envelhecimento.

De acordo com dados recentes da Organização Mundial da Saúde (OMS), mais de 306 mil brasileiros acima dos 60 anos são diagnosticados com algum grau de TEA. Para ter uma ideia, uma análise detalhada feita pelo Programa de Pós-Graduação em Ciências da Saúde (PPGCS) da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR) mostra que essa população representa cerca de 0,86% de todos os brasileiros.

É interessante notar que essa taxa não é igual para todos. Entre os homens, a prevalência é um pouco maior, chegando a 0,94%, enquanto entre as mulheres, o índice é de 0,81%. Essas diferenças de gênero são um ponto importante para futuras pesquisas e para o desenvolvimento de abordagens mais específicas de diagnóstico e suporte.

Desafios no Diagnóstico: Confusões e Sinais Importantes

Identificar o TEA em idosos é um desafio e tanto. Os sinais que caracterizam o autismo muitas vezes são vistos como "manias" da idade ou até mesmo como sintomas de outras doenças. Os mais comuns incluem:

  • Comportamento mais rígido, com dificuldade para se adaptar a mudanças.
  • Isolamento social, preferindo ficar sozinho a interagir com outras pessoas.
  • Interesses muito restritos, focando em poucos assuntos ou atividades de forma intensa.

Esses sintomas podem ser facilmente confundidos com sinais de depressão ou ansiedade, que são comuns na terceira idade. Por isso, um diagnóstico correto é fundamental para que a pessoa receba o apoio adequado e não seja tratada por uma condição que, na verdade, não tem.

Impactos na Saúde e Qualidade de Vida

A pesquisa da PUCPR também acende um alerta importante sobre a qualidade de vida e a saúde desses idosos. Pessoas mais velhas com TEA tendem a ter uma expectativa de vida menor. Além disso, enfrentam um risco maior de desenvolver:

  • Outros problemas de saúde mental, como ansiedade severa e depressão.
  • Declínio cognitivo, que pode afetar a memória e o raciocínio.
  • Doenças crônicas, como problemas cardiovasculares e disfunções metabólicas.

Entender que o TEA pode se manifestar de formas diferentes ao longo da vida e que seus sintomas podem se sobrepor a outros desafios do envelhecimento é crucial. O diagnóstico tardio não significa que não há o que fazer. Pelo contrário, com a identificação correta, é possível buscar tratamentos e terapias que melhorem a qualidade de vida, promovam a inclusão social e ajudem a lidar com os desafios de saúde associados.

A crescente visibilidade do autismo na terceira idade reforça a necessidade de mais estudos, treinamento de profissionais de saúde e, acima de tudo, mais empatia e compreensão da sociedade para garantir que ninguém seja deixado para trás, independente da idade ou de suas particularidades.