Curiosidades e Tecnologia

IA encontra espermatozoides raros e viabiliza 1ª gravidez no mundo

Tecnologia inspirada em mapeamento de galáxias localizou oito gametas em amostra considerada 'vazia', permitindo a gestação de um embrião biológico
Por Redação
IA encontra espermatozoides raros e viabiliza 1ª gravidez no mundo
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Um sistema de inteligência artificial (IA) chamado Star viabilizou a primeira gravidez no mundo com o auxílio direto da tecnologia. O método, inspirado no mapeamento de galáxias, localizou oito espermatozoides em uma amostra considerada "vazia" por métodos convencionais, permitindo que um casal com infertilidade gerasse um embrião biológico.

A ideia do sistema Star (Sperm Track and Recovery) surgiu em 2020, quando Zev Williams, diretor do Centro de Fertilidade da Universidade Columbia, comparou a busca por espermatozoides à identificação de novas estrelas no espaço. A tecnologia utiliza chips microfluídicos e robótica para analisar 300 imagens por segundo.

Conforme o algoritmo de aprendizado de máquina escaneia cada quadro em tempo real, um braço robótico isola células viáveis em milissegundos. Este avanço representa uma nova esperança para casais que enfrentam desafios de infertilidade masculina.

Um marco na medicina reprodutiva

O caso que mudou a medicina envolveu Samuel, diagnosticado com síndrome de Klinefelter e azoospermia, condição em que não há espermatozoides detectáveis. Após uma cirurgia sem sucesso na localização de gametas, a amostra foi submetida ao Star, que encontrou as oito células escondidas.

A esposa de Samuel, Penelope, relatou à BBC a emoção do marido ao saber da descoberta. Um único embrião evoluiu até o estágio de blastocisto, resultando na gravidez de Penelope, com nascimento previsto para o fim de julho.

A azoospermia afeta cerca de 1% dos homens, sendo um dos maiores desafios da medicina reprodutiva. Em casos graves, biópsias testiculares podem resultar em amostras sem células aparentes, frustrando o sonho da paternidade biológica. A tecnologia Star alcançou 100% de sensibilidade nos testes, indicando que o algoritmo pode encontrar espermatozoides mesmo em amostras com quantidades mínimas.

Especialistas pedem cautela e mais validações clínicas, mas o sucesso do método sinaliza uma mudança de paradigma. Onde a ciência via um diagnóstico definitivo de "não", a inteligência artificial agora consegue enxergar uma possibilidade, oferecendo novas perspectivas para a infertilidade masculina.