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Final do Baiano: Bahia se posiciona contra torcida mista em clássico

O Bahia é contra a volta da torcida mista para a final do Campeonato Baiano, mesmo após pedido do Vitória. MP-BA exige protocolos de segurança para qualquer mudança.
Por Redação
Final do Baiano: Bahia se posiciona contra torcida mista em clássico

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A paixão do futebol baiano está em efervescência com a proximidade da final do Campeonato Baiano, que colocará frente a frente os arquirrivais Bahia e Vitória. No entanto, um tema crucial fora das quatro linhas tem gerado bastante discussão: a possível volta da torcida mista nos clássicos Ba-Vi.

O Vitória, um dos finalistas, tomou a iniciativa de solicitar o retorno das duas torcidas aos estádios. O presidente do clube, Fábio Mota, confirmou o envio de um ofício pedindo a liberação para o jogo decisivo.

Vitória defende torcida mista para a final

Fábio Mota argumenta que a final deste ano apresenta um cenário diferente, com apenas um Ba-Vi na decisão. Para ele, é injusto que somente uma torcida acompanhe o espetáculo. O presidente do Vitória lembra que, no ano passado, ambos os times tiveram suas torcidas nos clássicos. Ele demonstrou confiança na capacidade da polícia de garantir a segurança, citando o trabalho feito no Carnaval.

"Esse ano o campeonato mudou. Nós vamos ter apenas um Ba-Vi na final. Por ser Ba-Vi, não é justo ter uma única torcida assistindo ao Ba-Vi. Ano passado tivemos duas torcidas assistindo ao Ba-Vi. Amanhã vamos solicitar, mandar o ofício ao Ministério Público, ao Governo do Estado, Secretaria de Segurança Pública, comando da PM solicitando que, esse Ba-Vi, por ser único, que é um fato novo, que seja com torcida mista. Nós vimos um show que a polícia deu no carnaval. A gente tem certeza que vão prover para o Ba-Vi", declarou Mota.

O ofício foi encaminhado ao Ministério Público, ao Governo do Estado, à Secretaria de Segurança Pública e ao comando da Polícia Militar, buscando uma decisão favorável.

Bahia se opõe à mudança

Apesar do pedido do rival, o Esporte Clube Bahia, que terá o mando de campo na final por ter a melhor campanha na fase classificatória, não concorda com o fim da medida que proíbe a torcida mista. O clube tricolor tem mantido contato com as autoridades sobre o assunto, mas sustenta sua posição contrária.

Para o Bahia, não houve mudanças significativas no comportamento dos torcedores que justifiquem o retorno das duas torcidas em um Ba-Vi. A proibição, que começou em 2018, veio após o registro de casos de violência em dias de jogos antes dessa data.

Ministério Público da Bahia estabelece condições rigorosas

A decisão final sobre a volta da torcida mista passa, necessariamente, pelo Ministério Público da Bahia (MP-BA). A proibição foi imposta pela instituição em conjunto com o Batalhão Especializado de Policiamento em Eventos (Bepe) da Polícia Militar, visando a segurança dos torcedores.

O MP-BA deixou claro que qualquer retomada da torcida mista depende de garantias explícitas das autoridades de segurança. A instituição enfatizou que os órgãos responsáveis pela segurança pública e pela logística das partidas precisam comprovar que todos os mecanismos e protocolos de prevenção e redução de riscos de violência estão totalmente assegurados.

"O Ministério Público da Bahia informa que a eventual retomada da torcida mista em eventos esportivos deve estar condicionada à comprovação, pelos órgãos responsáveis pela segurança pública e pela logística das partidas, de que todos os mecanismos e protocolos efetivos de prevenção e redução de riscos de violência estejam plenamente garantidos", afirmou o MP-BA em nota.

Além disso, o MP-BA ressaltou que a análise deve ser técnica, focando sempre na integridade física de torcedores, trabalhadores e todos os envolvidos. A posição do Bepe, que atualmente não recomenda a mudança do modelo, é vista como um elemento importante para essa avaliação. O Ministério Público seguirá acompanhando o tema, sempre buscando a segurança coletiva.

FBF aguarda decisão das autoridades de segurança

A Federação Bahiana de Futebol (FBF), por meio de seu presidente Ricardo Lima, adotou uma postura de aguardar as decisões dos órgãos de segurança. Ricardo Lima explicou que a Federação tem como foco principal o futebol, deixando as questões de segurança para as autoridades competentes.

"Eu costumo dizer que a Federação cuida sempre do futebol. A segurança pública compete à SSP e a Polícia Militar do nosso estado. E a gente vai estar sempre ouvindo juntamente com o Ministério Público aquilo que eles entenderem que é o melhor para o futebol baiano, para a sociedade baiana. A Federação vai estar acatando", disse Ricardo Lima.

Com posicionamentos tão distintos entre os clubes e a exigência de segurança por parte do Ministério Público, a bola está agora no campo das autoridades de segurança, que terão a responsabilidade de definir se o Ba-Vi da final do Campeonato Baiano terá, ou não, a presença das duas torcidas.