O filme "Barba Ensopada de Sangue", dirigido pelo baiano Aly Muritiba, explora o tema da violência masculina e um intenso suspense claustrofóbico. A trama segue Gabriel (Gabriel Leone), que viaja para uma vila de pescadores em Santa Catarina para desvendar a misteriosa morte de seu avô, um homem abusivo.
A narrativa é uma adaptação do livro homônimo de Daniel Galera e mergulha em um ciclo de violência familiar. Gabriel, um personagem deslocado, busca entender as raízes de sua linhagem, confrontando o passado de seu pai e avô.
Segundo Aly Muritiba, diretor do filme, a obra reflete sobre uma geração de homens contemporâneos forjada na lógica da violência. "Nós somos formados para sermos duros, brutos, resistentes e, por consequência, opressores", afirmou o cineasta.
A trama e o suspense claustrofóbico
Ao chegar à vila, Gabriel é hostilizado e perseguido pelos moradores, que guardam ódio e desprezo pelo seu avô, Galdério. Os silêncios e os não-ditos dos habitantes intensificam o clima de perigo iminente e o suspense claustrofóbico que permeia a história.
A vila, fictícia, remete a locais de antiga caça às baleias, o que serve como metáfora para a perseguição que Gabriel sofre. Ele se envolve com Jasmine (Thainá Duarte), uma guia de turismo, cujas dores e anseios contrastam com a crescente atração de Gabriel pelo ambiente opressor.
O diretor Muritiba explicou que as mulheres na trama representam a voz da razão. "A Jasmine fala para ele: 'Vai embora dessa cidade antes que ela te engula'", pontuou o cineasta, indicando o risco de Gabriel ser consumido pelo ciclo de violência. O filme se aprofunda no suspense psicológico, remetendo a trabalhos anteriores de Muritiba, como "Para Minha Amada Morta" (2015).
O longa "Barba Ensopada de Sangue" está em exibição nos cinemas e integra o que Muritiba chama de uma "tetralogia do homem despedaçado", que inclui "Ferrugem" (2018) e "Deserto Particular" (2021).

