O Carnaval de Salvador, conhecido por sua energia e alegria contagiantes, também teve espaço para um breve desentendimento na última segunda-feira, dia 16. Um momento de tensão chamou a atenção dos foliões no Circuito Dodô (Barra-Ondina), envolvendo o tradicional Afoxé Filhos de Gandhy e o Bloco Camaleão, comandado pelo ícone Bell Marques.
Integrantes do Filhos de Gandhy, um dos mais respeitados e antigos grupos do Carnaval baiano, foram a público para cobrar o horário de saída do trio elétrico de Bell Marques. Pelo microfone, um representante do afoxé expressou a insatisfação, alegando um acordo prévio para que o bloco de Bell começasse a desfilar apenas às 16h.
“Respeitem a gente, respeitem os Filhos de Gandhy. Não venham dar carteirada, fizemos um acordo com Bell para sair às 16 horas”, disse o representante, deixando clara a irritação do grupo com o que consideravam um descumprimento.
A cobrança, feita em um momento de grande efervescência, gerou uma forte reação entre os foliões que acompanhavam o Bloco Camaleão. Uma onda de vaias foi direcionada aos integrantes dos Filhos de Gandhy, que usavam seus característicos turbantes brancos, mostrando o apoio incondicional do público a Bell Marques.
O cantor, uma das figuras mais emblemáticas do axé music, não demorou a rebater a acusação. Bell Marques fez questão de olhar para o relógio e, com precisão, afirmou ter subido no trio às 15h53, ou seja, sete minutos antes do horário que os Filhos de Gandhy alegavam ser o combinado. Ele aproveitou a oportunidade para reforçar sua reputação de pontualidade no Carnaval.
"Para ser mais preciso, são 15h53. Sem dúvidas, nós somos um dos blocos que menos atrasam no Carnaval", declarou Bell Marques, recebendo uma chuva de aplausos dos seus fãs, que lotavam o circuito e demonstraram solidariedade ao artista.
A situação destacou a complexidade da organização do Carnaval de Salvador, onde cada minuto no circuito é valioso e a coordenação entre os diversos blocos e afoxés é fundamental para garantir o fluxo da festa. Embora a confusão tenha sido pontual, ela ilustra a paixão e a defesa das tradições e acordos por parte dos grupos que fazem a história da folia baiana, bem como a lealdade dos fãs aos seus artistas preferidos. Apesar do pequeno desentendimento, o show seguiu, e a alegria prevaleceu no maior carnaval de rua do mundo.

