A mineradora brasileira Serra Verde foi vendida para a empresa americana USA Rare Earth por US$ 2,8 bilhões, o equivalente a cerca de R$ 14 bilhões. O negócio, que reposiciona Goiás no cenário global das terras raras, foi anunciado nesta terça-feira (11).
A transação inclui um contrato de fornecimento de 15 anos e a integração das operações, abrangendo desde a extração até a fabricação de ímãs permanentes. A Serra Verde, localizada em Minaçu, é a única operação fora da Ásia capaz de produzir em escala comercial neodímio, praseodímio, disprósio e térbio, elementos cruciais para a indústria moderna.
Segundo Ricardo Grossi, presidente da Serra Verde, a estrutura local da mina e da planta em Minaçu será mantida, e a gestão seguirá inalterada. Do valor total da negociação, US$ 300 milhões serão pagos em dinheiro, e o restante será convertido em ações da empresa americana.
Impacto e Questionamentos sobre a Venda
O acordo gerou debate jurídico no Brasil. O ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa, afirmou que o subsolo brasileiro pertence à União e que tais acordos devem respeitar a legislação federal. Ele apontou uma possível inconstitucionalidade no memorando firmado entre Goiás e os Estados Unidos.
Parlamentares do PSOL acionaram a Procuradoria-Geral da União para questionar a legalidade da operação. Apesar disso, autoridades locais avaliam o acordo como positivo, destacando o potencial de aumento de renda e a valorização do mineral no mercado.
A mineradora emprega atualmente cerca de 400 pessoas em Minaçu, a maioria da própria região. A expectativa é de um crescimento gradual, com projeção de expansão da produção para 6,4 mil toneladas por ano até 2027, o que pode impulsionar novos postos de trabalho e movimentar a economia local.
Especialistas apontam que o negócio coloca Goiás no centro de uma cadeia produtiva estratégica, com potencial de aumentar a arrecadação e a circulação de renda. No entanto, alertam para riscos como a dependência de uma única commodity e a necessidade de políticas públicas para garantir que os benefícios permaneçam na região. Questões ambientais e de governança também são consideradas essenciais para o desenvolvimento sustentável.
Contexto Global das Terras Raras
O Brasil possui a segunda maior reserva de terras raras do mundo, atrás apenas da China, que domina a produção e o refino desses minerais. Nesse cenário, o avanço de projetos fora do eixo asiático é visto como estratégico, especialmente por países como os Estados Unidos, que buscam diversificar seus fornecedores e reduzir a dependência da China.
A conclusão do negócio ainda depende de aprovações regulatórias e deve ocorrer até o terceiro trimestre de 2026. A integração das operações será feita de forma gradual, e os efeitos mais concretos, como a geração de empregos e o aumento de investimentos, devem aparecer ao longo dos próximos anos, acompanhando a expansão da produção da mina de terras raras.

