O escritor e dramaturgo Elísio Lopes Jr., 50 anos, defende uma nova abordagem para as histórias negras na televisão brasileira. Coautor da novela "A Nobreza do Amor", recém-lançada na TV Globo, ele destaca a necessidade de representação da potência afro-brasileira nas telas.
Lopes Jr. ressalta que a teledramaturgia deve refletir a realidade de um país com maioria de pessoas não brancas. Segundo ele, há uma demanda natural para que o público se veja representado, não apenas nas dores, mas principalmente nas forças e talentos da negritude.
De acordo com o dramaturgo, "A Nobreza do Amor" busca apresentar uma realeza negra fictícia, conectando um reino africano a uma cidade brasileira, para celebrar a nobreza e a potência que a cultura africana trouxe ao Brasil. A novela conta com Lázaro Ramos e Zezé Motta no elenco, esta última considerada uma pioneira na representação da mulher negra na TV.
Representatividade e o sucesso de 'Torto Arado'
Além do trabalho na televisão, Elísio Lopes Jr. também dirige o espetáculo "Torto Arado", que cumpre uma carreira de sucesso pelo Brasil. A peça, baseada no livro do escritor baiano Itamar Vieira Jr., é um exemplo da força da criação negra e nordestina nas artes, na visão do dramaturgo.
O espetáculo, que estreou em Salvador, lotou suas três temporadas na capital baiana, evidenciando o interesse do público em se conectar com a própria história e com a "Bahia da água doce", como Lopes Jr. descreve a região do Recôncavo. A atriz Larissa Luz, que atua em "Torto Arado", recebeu o Prêmio Shell de melhor atriz por sua performance.
Elísio Lopes Jr. participa nesta terça-feira (27) do Festival de Literatura do Salvador Shopping, onde discutirá o tema "Sonhos, Esperanças e Resistências – A ginga soteropolitana nos Palcos e Telas", ao lado de Rita Santana e Larissa Luz.

