Há exatos dois anos, o futebol brasileiro e mundial se despedia de Mário Jorge Lobo Zagallo, o icônico 'Velho Lobo'. Sua morte marcou o fim de uma era, mas não de seu legado. Zagallo não foi apenas uma figura lendária; ele é, até hoje, o único ser humano a conquistar quatro títulos mundiais na história do futebol. Duas Copas como jogador, uma como treinador e outra como coordenador técnico. Uma marca inigualável que o eternizou como um dos maiores gênios do esporte.
Mais do que colecionar troféus, Zagallo moldou a identidade do futebol brasileiro e influenciou profundamente o esporte que conhecemos. Sua trajetória, repleta de glórias e inovações, é um exemplo de paixão e dedicação.
Um jogador que inventou o futuro
Antes de se tornar um mestre à beira do gramado, Zagallo brilhou dentro das quatro linhas. Em 1958, ao lado de craques como Pelé, Garrincha, Didi e Zito, ele foi peça fundamental na conquista do primeiro título mundial do Brasil, inclusive marcando um dos gols na grande final contra a Suécia. Quatro anos depois, em 1962, no Chile, ele foi novamente decisivo na campanha que garantiu o bicampeonato para a Seleção.
Como jogador, Zagallo era um ponta-esquerda com uma inteligência tática à frente de seu tempo. Ele não se limitava ao ataque; recuava para ajudar na marcação e na armação de jogadas, criando o que ficou conhecido como o 'quarto homem' no meio-campo. Essa função, hoje comum, era uma revolução tática na época. Abriu caminho para diversas variações táticas que vemos em grandes times até hoje. Um exemplo recente de como essa ideia se mantém viva é Gerson, no Flamengo. No futebol baiano, podemos observar algo parecido em jogadores como Erick, do Vitória, ou Ademir, do Bahia, que equilibram o apoio ofensivo com o suporte defensivo pelos lados do campo.
O maestro à beira do campo e nos bastidores
Depois de pendurar as chuteiras, Zagallo iniciou uma carreira igualmente brilhante como treinador. No Botafogo, deixou sua marca ao conquistar o bicampeonato Carioca (1967 e 1968) e a Taça Brasil de 1968, o primeiro título nacional do Glorioso.
Seu sucesso no clube carioca o levou ao comando da Seleção Brasileira em 1970. Com um time estelar que contava com Pelé, Jairzinho, Tostão e Rivelino, Zagallo alcançou a glória eterna com uma campanha perfeita na Copa do Mundo: seis jogos, seis vitórias e 19 gols marcados. Uma performance inesquecível que cravou seu nome na história.
Mas sua contribuição para o futebol brasileiro não parou por aí. Em 1994, integrou a comissão técnica do tetracampeonato mundial nos Estados Unidos, desta vez como coordenador técnico, mostrando sua versatilidade e conhecimento do jogo. Mais tarde, retornou ao cargo de treinador da Seleção entre 2003 e 2006, sempre mantendo a chama acesa de sua paixão pelo esporte.
Um legado que transborda os gramados
Zagallo era o símbolo do patriotismo e do orgulho nacional. Dono de uma personalidade forte e carismática, imortalizou frases que ecoam até hoje, como a famosa:
“Vocês vão ter que me engolir!”
Essa frase, proferida com paixão, marcou gerações e refletiu sua dedicação absoluta e seu comprometimento à beira do campo. Seu reconhecimento é global: foi eleito o nono melhor treinador da história do futebol pela renomada revista World Soccer em 2013, e o 27º melhor jogador de todos os tempos pela publicação FourFourTwo. O 'Velho Lobo' não apenas jogou e treinou; ele ensinou o mundo a entender a grandeza do futebol brasileiro, deixando um legado eterno de inovação, paixão e vitórias.

