Um possível confronto entre Iraque e Egito na Copa do Mundo de futebol masculino, agendado para 26 de junho em Seattle, nos Estados Unidos, gerou controvérsia. A partida foi designada como o "Jogo do Orgulho" pelos organizadores locais, em meio ao Mês do Orgulho LGBTQIA+.
A situação surgiu após a desistência do Irã da competição, abrindo a vaga para outra seleção asiática, com o Iraque como um dos principais candidatos. Ambos os países, Iraque e Egito, possuem legislações e políticas consideradas hostis à comunidade LGBTQIA+.
Antes mesmo da saída iraniana, a Federação Egípcia já havia solicitado à FIFA a proibição de atividades relacionadas ao Pride durante o jogo. A entidade alegou que tais manifestações contrariam valores culturais e religiosos do país, conforme informado pela organização.
Contexto e Reações
A Federação do Irã também criticou a iniciativa. O presidente da entidade, Mehdi Taj, classificou o "Jogo do Orgulho" como um "ato irracional que apoia um determinado grupo".
Apesar das objeções, os organizadores locais afirmaram que manterão as atividades ligadas ao Pride no entorno do estádio. Hana Tadesse, vice-presidente de comunicações do comitê organizador, informou que os eventos ocorrerão apenas fora da arena, pois as decisões dentro do campo são responsabilidade da FIFA.
A polêmica é ampliada pelo histórico de criminalização da homossexualidade nos países envolvidos. No Egito, organizações como a Anistia Internacional apontam que autoridades frequentemente perseguem pessoas por sua orientação sexual. Já o Iraque aprovou, em 2024, uma lei que pode punir atos homossexuais com até 15 anos de prisão, além de determinar que a mídia substitua o termo "homossexualidade" por "desvio sexual".
No Irã, relações entre pessoas do mesmo sexo podem ser punidas com açoites e até pena de morte, segundo organizações de direitos humanos. A possível entrada do Iraque no lugar do Irã no "Jogo do Orgulho" coloca em evidência a discussão sobre direitos humanos no maior torneio de futebol mundial.

