Avançar no futuro da medicina brasileira, levando tecnologias de ponta para mais pessoas, foi o grande objetivo do Health Innovation Forum 2026 (HIF 2026). O evento aconteceu nos dias 28 e 29 de janeiro, em Goiânia, capital de Goiás, e colocou em pauta a democratização da cirurgia robótica, uma técnica que tem saído dos grandes centros médicos para se integrar cada vez mais à saúde pública e aos planos de saúde privados.
O encontro reuniu diversos especialistas para discutir como expandir o acesso a essa tecnologia inovadora. Entre os convidados, a Bahia foi muito bem representada pelos urologistas Nilo Jorge Leão Barretto e Felipe Pinho.
A voz baiana no debate nacional
Os médicos baianos, únicos palestrantes do estado, trouxeram um olhar importante para a discussão sobre como descentralizar o conhecimento e a tecnologia no país. Nilo Jorge Leão Barretto é coordenador do Hospital Mater Dei Salvador e do Instituto Brasileiro de Cirurgia Robótica (IBCR), enquanto Felipe Pinho atua como diretor de ensino e pesquisa do IBCR.
"A presença de especialistas de diferentes regiões reflete um movimento de descentralização da tecnologia cirúrgica no país", explicou Felipe Pinho durante sua participação, destacando a importância de levar esses avanços para além dos grandes polos.
Tecnologia, treinamento e acesso: os pilares da expansão
A cirurgia robótica foi analisada em três pontos-chave: a tecnologia em si, o treinamento dos profissionais e o acesso dos pacientes. Para o Dr. Nilo Jorge Leão, de nada adianta ter equipamentos modernos se não houver uma política forte de capacitação dos médicos e equipes.
"A consolidação da técnica exige organização dos serviços de saúde, com impacto direto na segurança do paciente e nos resultados dos tratamentos", disse ele, enfatizando que a máquina é apenas parte da solução.
Um dos momentos mais importantes do fórum foi a apresentação do Instituto de Anatomia, Robótica e Treinamento (IART). Este centro de treinamento utiliza um método inovador: a simulação cirúrgica com cadáveres frescos, o que torna a experiência muito mais próxima da realidade do centro cirúrgico.
Dr. Leão, que também é diretor médico do IART, reforçou que o grande desafio para a cirurgia robótica chegar a mais lugares não é o custo ou a complexidade das máquinas, mas sim a formação de profissionais qualificados.
"O IART nasceu para treinar com rigor e responsabilidade. O grande gargalo da expansão da robótica é a formação técnica", afirmou, sublinhando a necessidade de investimento na qualificação da mão de obra.
Impacto nos pacientes e no sistema de saúde
Os debates do HIF 2026 deixaram claro que a cirurgia robótica é mais do que uma técnica avançada; ela representa uma mudança estrutural na forma como a saúde é oferecida. Os reflexos são diretos: mais eficiência nos hospitais, melhor gestão dos gastos operacionais e, o mais importante, uma recuperação mais rápida e menos dolorosa para os pacientes.
A busca pela democratização dessa tecnologia promete um futuro mais promissor para a medicina brasileira, com cirurgias mais precisas e benefícios ampliados para toda a população.

