Curiosidades e Tecnologia

Celular: pesquisa revela visões divididas sobre benefícios e riscos para crianças

Estudo AtlasIntel/A TARDE aponta que 44% não veem vantagens, enquanto 42,3% acreditam no potencial da tecnologia para o público jovem na Bahia
Por Redação
Celular: pesquisa revela visões divididas sobre benefícios e riscos para crianças
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Uma pesquisa recente divulgada pela AtlasIntel/A TARDE revelou que a população baiana está dividida sobre os benefícios e riscos do uso de celular por crianças e adolescentes. O levantamento, realizado entre os dias 26 e 30 de abril, ouviu 1.042 pessoas e mostrou que 44% não acreditam em vantagens, enquanto 42,3% veem potencial positivo na tecnologia para os mais jovens.

Entre os pais que identificam benefícios, 92% citam o apoio aos estudos como a principal utilidade do aparelho. Além disso, 67,6% dos pais indicam que a principal atividade dos filhos no celular é o estudo ou a escola, seguido de perto por redes sociais e vídeos, com 64,2% das respostas.

No entanto, o maior receio dos pais é a exposição a conteúdos inadequados e os impactos negativos no desenvolvimento infanto-juvenil, incluindo o desempenho escolar. Segundo a pesquisa, 39,6% das pessoas acreditam que as telas trazem mais malefícios do que benefícios, enquanto 16,8% pensam o contrário. Uma parcela de 43,6% busca um equilíbrio no uso do celular.

Contato precoce e desafios na supervisão

A pesquisa Atlas/A TARDE também indicou que cerca de 56% das crianças têm contato com o celular antes dos 8 anos de idade. Além disso, 78% das crianças têm contato frequente com o aparelho, seja com um próprio (55,7%) ou de terceiros (22,7%).

Fabiana Machado, agente da Guarda Civil Municipal de Salvador, de 44 anos, relatou ao portal A TARDE que a pandemia de Covid-19 expôs sua filha Safira, de 10 anos, ao uso precoce do celular. Ela enfatiza que a supervisão parental é crucial para evitar que o celular se torne um problema, afetando o desenvolvimento e os estudos da criança.

Apesar da supervisão, Fabiana observa que o celular se tornou um obstáculo para o aprendizado de Safira, que perde o foco com mais facilidade. A professora de inglês Beatriz Silva, de 24 anos, que leciona para o Ensino Fundamental I, também não considera o celular benéfico para seus alunos, associando-o ao lazer sem supervisão. Ela defende a proibição do uso de celulares em sala de aula, conforme a Lei nº 15.100/2025, em vigor desde janeiro de 2025.

Alternativas e impactos no ensino a distância

Beatriz Silva sugere alternativas como tablets e notebooks para a iniciação à informática, além de jogos educativos, vídeos e músicas em inglês para estimular o aprendizado. A escola onde ela trabalha já implementou uma plataforma de jogos pedagógicos.

No contexto do ensino a distância, popularizado pela pandemia, a estudante universitária Letícia Cardoso, de 22 anos, que ministra aulas remotas de física e matemática, aponta o celular como uma grande distração. Ela acredita que o aparelho poderia ser uma ferramenta benéfica, mas a falta de orientação adequada o transforma em um empecilho para o processo de ensino-aprendizagem dos adolescentes.