A Confederação Brasileira de Futebol (CBF) publicou seu novo Manual de Competições, um documento que centraliza e atualiza as normas para os campeonatos nacionais. O objetivo é claro: padronizar procedimentos, acabar com as brechas de interpretação e alinhar as regras do nosso futebol com as diretrizes internacionais.
Um dos pontos que mais chamou a atenção no novo manual é o endurecimento das regras sobre jogos com torcida única. A CBF quer evitar que os clubes façam acordos entre si por pura conveniência para ter apenas uma torcida no estádio. Essa mudança, como era de se esperar, levantou um debate sobre o futuro de clássicos marcados por um histórico de violência, como o famoso Ba-Vi, entre Bahia e Vitória, em Salvador, na Bahia.
Por que o Ba-Vi não deve ser afetado?
Apesar da preocupação inicial, especialistas em direito desportivo explicam que a nova regra da CBF não deve mudar a realidade do futebol baiano. Eles deixam claro que o manual busca impedir acordos feitos por conveniência entre os próprios clubes, e não decisões que vêm de recomendações de órgãos de segurança pública. E é exatamente este o caso do Ba-Vi.
Desde episódios de violência em 2017 e 2018, o clássico entre Bahia e Vitória é disputado com torcida única por uma recomendação do Ministério Público da Bahia (MP-BA). De lá para cá, a medida virou padrão, com dezenas de jogos acontecendo nesse formato. Mesmo com tentativas de diálogo entre a Federação Baiana de Futebol, os clubes e as autoridades de segurança, a restrição foi mantida com base em critérios técnicos de segurança.
“No caso do Ba-Vi, a torcida única não nasceu de um acordo entre os clubes, mas sim de recomendações das autoridades de segurança pública. Além disso, esse formato mantém o equilíbrio esportivo, já que cada time joga como mandante em seus próprios domínios.”
Os advogados ouvidos pela reportagem consideram improvável que essas novas medidas afetem o clássico baiano. Eles reforçam que a torcida única no Ba-Vi não é fruto de um acerto entre as equipes, mas sim uma exigência de segurança. Além disso, o formato atual garante um certo equilíbrio, já que cada equipe joga com sua torcida em seu próprio campo.
O que o manual da CBF realmente prevê?
O Manual da CBF dá poder à sua Diretoria de Competições para analisar, caso a caso, se as condições de segurança podem atrapalhar o equilíbrio esportivo de uma partida. Em situações extremas, a entidade pode até decidir por mudanças maiores, como transferir o jogo para outro local ou realizá-lo com portões fechados. Mas atenção: essas decisões dependem de uma análise específica e não são automáticas.
O documento também reforça que os clubes, tanto o mandante quanto o visitante, são responsáveis pela conduta de suas torcidas. As punições podem ser pesadas, variando desde multas altas até a perda do mando de campo. Se não houver um acordo sobre o plano de segurança entre os clubes e as autoridades, o jogo pode ser adiado ou até mesmo vetado antes de começar.
Para os especialistas, a principal intenção da CBF é evitar que decisões administrativas distorçam campeonatos, favorecendo um clube em vez de outro. No entanto, na Bahia, a tendência é que o Ba-Vi continue seguindo as orientações das autoridades locais, permanecendo dentro das exceções que as próprias normas da CBF permitem para garantir a segurança de todos.

