Com o brilho e o som do Carnaval se aproximando, muitos pais de crianças com Transtorno do Espectro do Autismo (TEA) buscam formas de garantir que seus pequenos também possam curtir a festa. Mesmo com o barulho alto e a multidão nas ruas, é totalmente possível transformar a folia em uma experiência prazerosa e acolhedora para elas.
A chave, como explica a fisioterapeuta Jamaica Araújo, é criar um ambiente que respeite os limites e a realidade de cada criança. Não se trata de forçar a participação, mas de adaptar a festa para que a inclusão aconteça de verdade.
Planejamento e conversa: a receita para um Carnaval tranquilo
Antes mesmo de colocar a fantasia, um bom bate-papo com as crianças faz toda a diferença. “É importante que os familiares conversem com as crianças sobre o Carnaval e estejam preparados caso alguma situação seja difícil para elas”, destaca Jamaica Araújo. Saber o que esperar diminui a ansiedade e ajuda a criança a se sentir mais segura.
Escolher os locais certos também é fundamental. A fisioterapeuta aconselha priorizar opções com menos aglomeração. Ela sugere:
- Blocos infantis: Geralmente pensados para os pequenos, tendem a ser mais controlados e menos barulhentos.
- Eventos com menos público: Festas menores ou em ambientes mais calmos permitem que as crianças se divirtam no próprio ritmo, sem a sobrecarga sensorial de grandes multidões.
“Quando a criança já sabe o que vai encontrar, tende a ficar menos ansiosa. Além disso, é fundamental que os pais estejam atentos à necessidade de pausas ou de ambientes mais tranquilos, para que ela participe da celebração de forma leve e divertida”, completa a especialista.
Conforto e proteção: os aliados da diversão
Para muitas crianças com TEA, a intensidade sensorial do Carnaval pode ser avassaladora. Por isso, alguns itens simples podem se tornar grandes aliados para garantir o conforto e a proteção necessários:
- Fones de ouvido com cancelamento de ruído: Essenciais para abafar o som alto, permitindo que a criança controle a intensidade sonora do ambiente.
- Óculos de sol e bonés: Ajudam a reduzir a intensidade da luz e os estímulos visuais, que podem ser excessivos.
- Brinquedos sensoriais ou objetos de apego: Levar um objeto que a criança já conhece e que lhe traga segurança pode ser um refúgio e uma forma de autorregulação em momentos de estresse.
Fique atento aos sinais e respeite os limites
A observação atenta dos pais é crucial. Crianças com TEA podem demonstrar desconforto de diversas maneiras. Fique de olho em sinais como:
- Ansiedade crescente
- Irritabilidade incomum
- Crises sensoriais (como sobrecarga por barulho ou toques)
Se notar qualquer um desses comportamentos, a dica é clara: “Busque um local tranquilo e sem aglomerações, garantindo que a criança se sinta confortável e respeitando sempre seus limites”, alerta Jamaica Araújo. A prioridade é sempre o bem-estar da criança. Não hesite em se afastar da folia por um tempo, ou até mesmo ir para casa, se for preciso.
Com planejamento, carinho e os recursos certos, o Carnaval pode ser uma festa de alegria e inclusão para todas as crianças, incluindo aquelas com Transtorno do Espectro do Autismo. O importante é celebrar a seu modo, no seu ritmo e com muito respeito às individualidades.

