O Carnaval de Salvador, na Bahia, é muito mais do que a maior festa de rua do mundo. Para milhares de pessoas, ele representa uma chance real de mudar de vida, de garantir o pão de cada dia ou de complementar a renda familiar que fará diferença por meses. Enquanto a folia toma conta dos circuitos, um exército de trabalhadores informais e temporários enfrenta sol, chuva e jornadas longas em busca de um faturamento que pode ser a tábua de salvação do ano.
Mas, afinal, quanto será que ganha quem sua a camisa nas ruas da capital baiana durante o período momesco? A resposta não é simples, pois varia muito conforme a função, o empenho e a sorte, mas os números mostram o impacto significativo que o Carnaval tem na economia de milhares de lares.
Um motor econômico que movimenta a Bahia
Considerado um dos principais motores econômicos da Bahia, o Carnaval gera emprego e oportunidades que vão muito além dos dias de festa. Só em 2025, por exemplo, a festa empregou diretamente cerca de 62 mil pessoas. Esse total inclui desde quem tem contrato formal em camarotes luxuosos até aqueles que garantem a renda na informalidade, com seus isopores, carrinhos e serviços que mantêm a engrenagem da folia funcionando.
O Governo da Bahia investe pesado na infraestrutura da festa, com mais de R$ 110 milhões destinados à segurança e outros R$ 8,5 milhões aplicados diretamente em ações para os trabalhadores, como ambulantes, catadores, cordeiros e músicos. Em 2026, a festa vai acontecer em mais de 150 cidades do estado, além de Salvador, ampliando ainda mais as oportunidades.
Ambulantes: o coração da rua e o kit completo
Entre as figuras mais importantes do Carnaval, os ambulantes são o coração da rua. Em 2026, a Prefeitura de Salvador credenciou cerca de 3.500 desses trabalhadores para atuar oficialmente nos circuitos. O cadastro é feito de forma online e considera critérios importantes, como morar em Salvador, ter experiência em outras festas e ser mulher chefe de família.
Os ambulantes cadastrados recebem kits de trabalho, transporte público de graça durante a festa e, em alguns circuitos, até alimentação em restaurantes populares e acolhimento para os filhos. O melhor é que, para quem está regularizado, o custo inicial é quase zero: a prefeitura isenta a taxa de licenciamento e ainda fornece o isopor. O principal investimento que o ambulante precisa fazer é no estoque de bebidas e produtos que vai vender.
Kit Ambulante distribuído:
- Barreira (novo modelo, fechado com cadeado)
- 3 bonés
- 3 Coletes
- 3 camisetas UV
- 1 capa de chuva
- 1 protetor solar
- 1 Banco
- 1 guarda sol com precificador
- 2 isopores pequenos
- 1 isopor grande
Cordeiros: os guardiões dos blocos
Outra função fundamental para a organização dos blocos é a de cordeiro. Esses trabalhadores são responsáveis por manter a ordem e a segurança dos foliões dentro das cordas. Em 2026, o Sinebahia abriu 500 vagas temporárias para essa função, sem exigir nem experiência prévia, nem escolaridade específica. A diária paga é de R$ 110.
O contrato para os cordeiros dura cinco dias, e eles recebem água, lanche e Equipamentos de Proteção Individual (EPIs). É um trabalho que exige resistência, mas que garante um dinheiro importante para muita gente.
Além da corda: outras formas de fazer renda no Carnaval
Além dos trabalhos diretamente na rua, o Carnaval oferece muitas outras oportunidades. A segurança privada, por exemplo, é bastante demandada, especialmente em camarotes e blocos fechados. Os valores podem variar muito de acordo com a carga horária e a empresa contratante, chegando a mais de R$ 500 por dia em alguns casos.
Para quem prefere trabalhar em ambientes mais estruturados, camarotes, eventos privados e a hotelaria abrem muitas vagas. Garçons, bartenders, recepcionistas, promotores, equipes de limpeza e coordenadores são alguns dos profissionais mais procurados. Os pagamentos são bem variados: existem vagas que pagam por turno, com cachês diários entre R$ 200 e R$ 400, e contratos para toda a festa que podem render de R$ 1 mil a R$ 5 mil.
Até mesmo processos seletivos públicos são abertos para educadores sociais e equipes de apoio, com contratos temporários durante o período do Carnaval, mostrando a diversidade de oportunidades que a festa proporciona.
Seja empurrando um isopor, segurando uma corda ou servindo drinks, o Carnaval de Salvador se reafirma como um gigante gerador de renda e uma oportunidade essencial para milhares de famílias baianas.

