O Carnaval, uma das maiores e mais vibrantes festas do Brasil, está no centro de um debate importante que busca ir além da folia. Especialistas e o Ministério da Cultura (MinC) se reúnem para discutir como essa manifestação cultural, especialmente o Carnaval de Salvador, na Bahia, pode se tornar uma verdadeira referência global de desenvolvimento econômico e social.
A discussão ganhou destaque com a chegada da renomada economista Mariana Mazzucato a Salvador. Ela participa de um encontro promovido pelo MinC no dia 13 de fevereiro, com o objetivo de abordar a cultura não apenas como um setor à parte, mas como um eixo estratégico fundamental para a economia de um país. A iniciativa, que também passará por Rio de Janeiro e Brasília, propõe uma nova forma de enxergar o valor de eventos como o Carnaval.
O real valor da cultura além dos números tradicionais
Para Mariana Mazzucato, o modo como medimos o sucesso econômico muitas vezes falha em capturar a riqueza gerada por áreas como as artes e a cultura. Ela explica que as métricas tradicionais, como o Produto Interno Bruto (PIB), focam apenas nas transações de mercado, deixando de lado um impacto muito mais profundo.
“O Carnaval oferece um poderoso estudo de caso: ele demonstra como grandes manifestações culturais geram valor nas dimensões econômica, social e territorial, um valor que não pode ser capturado por métricas tradicionais”, afirma a economista.
Essa visão sugere que a cultura não é apenas um "setor criativo" isolado, mas uma condição essencial para a transformação econômica e para a própria formação da sociedade. É sobre entender que o impacto de uma festa vai muito além da venda de ingressos ou do faturamento direto.
Carnaval: Expressão, Economia e Elo Social
A ministra da Cultura, Margareth Menezes, reforça essa perspectiva. Para ela, o Carnaval é um exemplo claro de como a cultura se manifesta como uma força poderosa, unindo pessoas e impulsionando a economia.
“O Carnaval é expressão cultural, força econômica e elo social. Tratá-lo como objeto de pesquisa estruturante é reconhecer a cultura como política pública essencial”, destaca a ministra.
Essa festa, que movimenta uma engrenagem gigantesca de setores, é percebida pelo público internacional como um sistema social e econômico que funciona o ano todo, não apenas nos dias de folia. Três aspectos principais ajudam a entender essa dinâmica:
- Complexidade: O Carnaval mobiliza cadeias produtivas inteiras, gerando milhares de empregos e incentivando a formação de novos talentos. Ele une saberes tradicionais, como o trabalho de artesãos e costureiras, com tecnologias e expressões artísticas contemporâneas.
- Impacto Econômico Concreto: Os números falam por si. Somente o Carnaval de Salvador atraiu 3,5 milhões de turistas e movimentou cerca de R$ 2 bilhões, segundo dados da Prefeitura da capital baiana. Esses valores mostram a capacidade de injeção de recursos na economia local e regional.
- Estudo de Caso Global: O evento serve como um exemplo prático para mostrar como grandes manifestações culturais podem gerar um valor imenso em diversas áreas: econômica, social, territorial e urbana. É um laboratório vivo de como a cultura constrói e transforma.
Ao discutir o Carnaval sob essa ótica, o Ministério da Cultura e os especialistas buscam mudar a forma como a sociedade e os governos enxergam e investem na cultura, reconhecendo-a como um motor potente para o desenvolvimento sustentável e inclusivo.

