O Carnaval de Salvador, na Bahia, é uma festa de pura energia e, a cada ano, prova que a alegria não tem fronteiras. Longe da ideia de que a folia se restringe a quem não possui nenhuma necessidade especial ou limitação física, a capital baiana mostra que seus circuitos são para todos. Pessoas com deficiência (PCDs) estão por toda parte, mostrando que o amor pelo Carnaval é maior que qualquer barreira.
A alegria nos camarotes: Antônia Fontes celebra a folia
Imagine curtir o agito carnavalesco com uma vista privilegiada, sentindo a vibração dos trios elétricos passarem bem de perto. Foi exatamente essa a experiência de Antônia Fontes, uma aposentada cheia de vida, em um dos camarotes da prefeitura, no circuito Osmar (Campo Grande). Mesmo utilizando cadeira de rodas, a emoção de ver blocos como as Muquiranas – comandadas por Tony Sales – foi tamanha que ela encontrou forças para se levantar e celebrar na terça-feira de Carnaval.
"Eu adoro Carnaval. Gosto desde pequena. Sempre que posso, vou na rua com meus familiares e aproveito. Mas ter essa visão e ver meus artistas preferidos, não tem dinheiro que pague", contou Antônia, que se revelou fã de carteirinha da folia e, claro, de Ivete Sangalo.
Nas ruas: Jorge Lima Farias segue o Filhos de Gandhy
Mas a festa não fica apenas nos confortáveis camarotes. Nas ruas de Salvador, a prova de que o Carnaval é de todos vem também do músico Jorge Lima Farias. Vestido a caráter e aguardando a chegada do tradicional bloco Filhos de Gandhy, Jorge, que é PCD, compartilhou sua experiência e afirmou que a folia é muito acessível para ele. Há seis anos, ele segue o bloco, uma tradição que começou por um convite especial de um amigo, também PCD.
"É muito bom, muito gratificante. As pessoas me recebem muito bem aqui", afirmou Jorge. "Vim ver como era e acabei gostando. Esse ano, espero completar o percurso."
Companhia e superação: a força da união
Jorge não está sozinho nessa jornada de folia. Seu sobrinho, Ícaro, é seu companheiro fiel, sempre o acompanhando e admirando a força de vontade do tio. A presença de familiares e amigos é um combustível a mais para quem encara os quilômetros dos circuitos da festa.
"A gente sai sempre junto há seis anos. É um bom exemplo que a gente tem. Ainda há outros amigos nossos também que sempre vêm", disse Ícaro, destacando a importância do apoio.
Jorge complementa que, quando as pessoas com deficiência se unem, a mensagem que transmitem é poderosa e inspiradora.
"Quando a gente se junta, todos os cadeirantes, mostramos como é um exemplo do que nós somos capazes de fazer mesmo com algumas dificuldades que a gente passa em alguns lugares", finalizou Jorge Lima Farias, reforçando o espírito de união e superação.Seja nos blocos de rua que exigem grande esforço físico ou nos camarotes com a estrutura necessária, o Carnaval de Salvador se reafirma como um espaço genuíno de inclusão, onde a alegria e a capacidade de superação caminham lado a lado. A festa baiana prova, ano após ano, que é verdadeiramente para todos, sem exceção.

